CAMPO GRANDE — A Santa Casa de Campo Grande teve a gestão financeira colocada sob suspeita após auditoria e investigação identificarem falhas contábeis, problemas patrimoniais, pagamentos sem comprovação e deficiências nos controles internos. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) afirma que essas fragilidades aumentaram os riscos à sustentabilidade da instituição e à continuidade da assistência à população.
Durante 2026, o hospital enfrentou ameaças de suspensão do atendimento atribuídas a um déficit financeiro, com menções a atrasos em repasses do SUS e a valores defasados. A Operação Antidotum, porém, apontou também suspeitas de fraudes que teriam desviado R$ 9,6 milhões.
Falhas identificadas na gestão
A conclusão consta de um relatório do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), elaborado com achados da CGE (Controladoria-Geral do Estado), do Conselho Fiscal e da investigação. A auditoria da CGE examinou, em 2025, a aplicação de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde).
Entre os problemas descritos está a ausência de consolidação das demonstrações financeiras da Santa Casa e da Operadora Santa Casa Saúde. Como uma controla a outra, os dados deveriam ser apresentados em conjunto. Sem essa consolidação, o relatório aponta risco de distorções nos balanços, inclusive com a possibilidade de ativos e receitas serem inflados.
A CGE também encontrou pagamentos sem documentos suficientes para comprovar a execução dos serviços ou o cumprimento de metas assistenciais. Em um contrato da Duarte Soluções, a remuneração prevista era de R$ 180 mil por mês. Segundo o relatório, não foram apresentados estudo de formação de preço, metas de produtividade e relatórios de execução. O documento também registra datas contraditórias em um aditivo.
Diferenças em pagamentos
Os registros contábeis de 2025 indicaram R$ 2,4 milhões pagos como gestão e cobrança. Considerando as 12 parcelas de R$ 180 mil, o total seria de R$ 2,16 milhões. A diferença de R$ 241,8 mil não tinha respaldo no aditivo levado ao Conselho Fiscal.
Outro apontamento envolve a Redvalue Tecnologia. O Conselho Fiscal encontrou divergência entre a quantidade de documentos digitalizados e os valores pagos. Foram solicitadas informações sobre o número de páginas processadas e a relação com as notas fiscais, mas o relatório afirma que os dados não foram apresentados.
O documento também relaciona os riscos ao déficit financeiro recorrente da Santa Casa e à forte dependência de recursos públicos.







