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Falhas em lacres levam perícia a recusar análise de aparelhos do caso Dark Horse

Embalagens de celulares, notebooks e pendrives permitiam acesso por cabo USB e foram devolvidas à Polícia Civil para novo lacre.

Suspeita de violação de lacres de equipamentos do caso Dark Horse expõe Tarcísio de Freitas e André Mendonça

A Polícia Científica de São Paulo recusou periciar celulares, notebooks e pendrives apreendidos na investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse após identificar falhas nos lacres e nas embalagens. Os invólucros permitiam a passagem de um cabo USB e, em alguns casos, a retirada dos dispositivos.

O problema foi registrado em termo elaborado pelo Instituto de Criminalística e anexado ao processo. Segundo o documento, a estrutura das embalagens possibilitava a introdução de objetos ou vestígios no interior dos equipamentos, o que comprometia a preservação do material antes dos exames.

A falha atingiu 13 embalagens que guardavam celulares e notebooks. A perita criminal Viviane Fleitas Menezes apontou que os sacos tinham espaço para a entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, o que tornava possível a manipulação dos aparelhos antes da perícia. Entre os pendrives, quatro embalagens tinham abertura suficiente para permitir a retirada dos dispositivos.

A operação policial ocorreu em 1º de junho, mas os equipamentos foram encaminhados pela Polícia Civil ao Instituto de Criminalística apenas em 3 de junho, dois dias depois. Ao receber o material, os peritos recusaram os exames nas condições apresentadas.

Os objetos foram devolvidos à Polícia Civil em 8 de junho. Na ocasião, o escrivão Mauro Sergio Gagliotti determinou que as embalagens fossem trocadas e que novos lacres fossem colocados. A medida foi registrada como necessária para preservar a integridade dos objetos e manter a cadeia de custódia antes de um novo envio à perícia.

A cadeia de custódia acompanha o caminho de uma evidência desde a apreensão até a análise técnica e uma eventual utilização no processo. Em equipamentos eletrônicos, essa preservação é relevante porque dados de celulares, computadores e dispositivos de armazenamento podem ser alterados sem sinais imediatamente perceptíveis.

Investigação sobre o filme

Os aparelhos fazem parte da apuração sobre a movimentação de recursos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, o programa Wi-Fi Livre SP e empresas relacionadas à produção de Dark Horse. Polícia Civil e Polícia Federal examinam pagamentos e subcontratações, incluindo transferências feitas pelo Instituto Conhecer Brasil para empresas ligadas ao filme.

Os dispositivos podem conter mensagens, documentos, registros financeiros, contatos e outros dados relacionados às pessoas investigadas. Até o momento, não há informação sobre quem foi responsável pela falha. Também não existe conclusão de que os equipamentos tenham sido manipulados ou de que dados tenham sido apagados ou modificados.

A investigação relacionada ao financiamento do filme tramitava no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso envolvia pessoas ligadas à produtora Go Up Entertainment.

Em agosto, os advogados de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora, pediram a Mendonça a suspensão da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e a transferência do caso para o STF. A defesa alegou que a apuração paulista invadia matéria já submetida à Corte.

Não há, até o momento, informação pública que atribua a André Mendonça participação na apreensão, no acondicionamento ou no transporte dos aparelhos. A relação do ministro com o caso está no destino judicial das provas. Permanece sem resposta se a falha foi apenas um erro de procedimento ou se houve acesso aos dispositivos antes da perícia.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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