MATO GROSSO DO SUL — A Mata Atlântica perdeu aproximadamente 184 mil hectares de vegetação nativa em Mato Grosso do Sul entre 1985 e 2025. No mesmo período, a área ocupada pela agricultura cresceu 582%, passando de 196,1 mil para 1,34 milhão de hectares, segundo a Coleção 11 do MapBiomas.
A área delimitada do bioma no estado soma aproximadamente 3,74 milhões de hectares. Em 1985, florestas e vegetação herbácea e arbustiva ocupavam cerca de 941,9 mil hectares. Em 2025, essas formações somavam 758,1 mil hectares — uma redução aproximada de 183,8 mil hectares, equivalente a 19,5% da vegetação nativa registrada no início da série.
Florestas e áreas alagadas
A maior parte da perda ocorreu nas áreas de floresta, que diminuíram cerca de 152 mil hectares, passando de 525,8 mil para 373,5 mil hectares. A vegetação herbácea e arbustiva, formada principalmente por campos alagados, áreas pantanosas e formações campestres, recuou aproximadamente 31 mil hectares, de 416,1 mil para 384,6 mil hectares.
Em 2025, as florestas representavam 9,98% da área estadual da Mata Atlântica, enquanto a vegetação herbácea e arbustiva correspondia a 10,28%. Juntas, as duas classes ocupavam cerca de 20,3% do bioma em Mato Grosso do Sul. A agropecuária estava presente em 72,44% dessa área.
Lavouras avançam sobre pastagens
A expansão agrícola ocorreu principalmente sobre áreas antes usadas como pastagem. A soja passou de 149 mil para 946,5 mil hectares, um crescimento de 536%, e ocupava 25,29% de toda a área estadual da Mata Atlântica em 2025. A cana-de-açúcar alcançou 321,7 mil hectares, enquanto as demais lavouras temporárias ocupavam 66,5 mil hectares e o arroz, 2,5 mil hectares.
As pastagens diminuíram de 2,19 milhões para 1,05 milhão de hectares, uma retração de 52%. Natalia Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, afirmou que 84% da expansão agrícola ocorreu sobre antigas pastagens. Outros 7% atingiram diretamente áreas de vegetação nativa.
Apesar da mudança na composição, a área total da agropecuária cresceu apenas 2%, de 2,66 milhões para 2,71 milhões de hectares. A silvicultura avançou de 1,4 mil para 12 mil hectares, alta de 731%. Já a área urbanizada aumentou 102%, de 9,2 mil para 18,7 mil hectares, e representava 0,5% do bioma no estado em 2025.
Áreas protegidas e regeneração
Os principais remanescentes estão no entorno do Rio Paraná e na Serra da Bodoquena. O Imasul informou que Mato Grosso do Sul abriga a maior área contínua preservada de Mata Atlântica no interior do Brasil. Na região do Rio Paraná, unidades de conservação formam um conjunto com mais de 1 milhão de hectares.
Entre as áreas protegidas estão o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, reservas particulares e parques municipais. Criado em 1998, o parque estadual tem 73.345 hectares distribuídos entre Jateí, Naviraí e Taquarussu. Na Serra da Bodoquena, o parque nacional protege aproximadamente 76,4 mil hectares e conserva uma área de contato entre Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Chaco paraguaio.
Em 2025, quase um terço da vegetação nativa da Mata Atlântica no estado era secundária, formada por áreas que voltaram a crescer após o desmatamento. Essa vegetação representava 32% da cobertura nativa, contra 22% em 2005. No mesmo intervalo, a participação da vegetação primária caiu de 77% para 68%.
“A regeneração da vegetação é importante para a conservação da Mata Atlântica e para a manutenção de serviços ecossistêmicos, como a qualidade da água, do solo e do ar”, explicou Natalia Crusco.
Entre 2021 e 2025, a Mata Atlântica perdeu 1,2 milhão de hectares de vegetação nativa em todo o bioma. Desse total, 700 mil hectares eram de vegetação secundária e 500 mil de vegetação madura.








