CAMPO GRANDE — A Controladoria-Geral do Estado (CGE) investiga se a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande usou recursos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para custear operações de seu plano de saúde privado. A apuração integra a investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) na Operação Antidotum.
A suspeita ganhou força depois que a instituição não entregou os documentos contábeis exigidos durante uma auditoria. Segundo o relatório da controladoria, a Santa Casa detém quase todo o capital da operadora, mas não apresentou os balanços consolidados. A ausência dos dados dificultou o rastreamento das movimentações financeiras entre as entidades.
O documento também registra que funcionários da associação são beneficiários do plano privado operado pela Santa Casa Saúde. Para a controladoria, essa relação gerou transações significativas entre as duas organizações e reforçou a necessidade de verificar o destino dos recursos.
Áudio cita possível faturamento indevido
Um áudio interceptado durante a investigação e anexado pelo Ministério Público é atribuído ao então gerente administrativo Alessandro Dias Junqueira. Na gravação, ele descreve a sobreposição entre as estruturas de atendimento público e privado e afirma que pacientes do plano de saúde ou do pronto-socorro poderiam ser faturados pelo SUS.
Alessandro também diz que a presidente da instituição, Alir Terra Lima, precisava voltar a atenção para a operadora. Em um trecho, ele afirma: “a gente recebe paciente no pronto-socorro, a gente recebe paciente do privado e fatura pelo SUS, entendeu? E às vezes a gente cobra do paciente”.
A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva, incluindo os de Alir e de diretores da Santa Casa. Também foram realizadas dezenas de buscas e apreensões em Campo Grande, Dourados e Goiânia.
A apuração do Ministério Público aponta ainda que fraudes em contratos e manipulação de dados contábeis provocaram prejuízos iniciais estimados em R$ 4,9 milhões. Os órgãos de controle continuam tentando identificar o destino real das verbas públicas.







