O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) amplie a participação na identificação de irregularidades em fundos de investimentos. Para ele, o trabalho deve ser coordenado com outros órgãos de inteligência financeira e com a Receita Federal.
A declaração foi dada em coletiva no Ministério da Fazenda nesta quinta-feira (24), após uma decisão comunicada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme o relato de Durigan, a Fazenda deverá coordenar, junto à CVM, revisões nas regras do mercado de fundos.
Durigan também diferenciou as atribuições dos órgãos de fiscalização. O Banco Central acompanha administradores de recursos e bancos, enquanto a CVM é responsável pela análise dos fundos no país. “É importante reforçar a competência da CVM”, afirmou.
A discussão ocorreu no mesmo dia da terceira fase da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público de São Paulo, e pela Receita Federal. A Polícia Federal também apoia as investigações.
Estrutura investigada
As autoridades apuram uma estrutura de lavagem de dinheiro usada para viabilizar a compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. A suspeita envolve a ocultação do controle de uma usina sucroalcooleira, com uso de fintechs para movimentar recursos.
Uma operação relacionada à usina, estimada em R$ 370 milhões, foi identificada pelos investigadores. O dinheiro teria circulado por uma estrutura criada para dar aparência regular à transação e dificultar a identificação dos beneficiários finais.
Entre os alvos estão executivos de um banco e de empresas, incluindo a Entre Investimentos, ligada ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele tem ligações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso por fraudes no sistema financeiro.
Ao defender mais integração, Durigan disse que estruturas com personalidades jurídicas e fundos próprios podem ser usadas para ocultar informações das autoridades. “A CVM tem a competência de olhar para os fundos do país”, declarou.







