A aparência conservada de um pneu não garante que ele esteja dentro das regras de circulação. Mesmo calibrado, sem furos e com as laterais sem danos aparentes, o componente pode estar irregular se a banda de rodagem estiver desgastada demais.
A Resolução nº 913 do Contran proíbe o uso de pneus com profundidade remanescente inferior a 1,6 milímetro. A restrição também vale quando a borracha alcança os indicadores instalados no fundo dos sulcos.
Esses canais ajudam a retirar a água que fica entre o pneu e o asfalto. Quando perdem profundidade, a drenagem diminui, o que pode afetar a aderência. O desgaste também interfere na frenagem e na estabilidade em curvas. Por isso, observar apenas as laterais ou verificar se há furos não é suficiente.
Como identificar o limite de desgaste
O TWI é uma elevação de borracha localizada dentro dos canais da banda de rodagem. Letras, símbolos ou setas na lateral indicam a posição desses pontos. Quando a superfície do pneu fica no mesmo nível do TWI, o limite de uso foi atingido.
A conferência pode ser feita visualmente, tanto durante uma fiscalização quanto em casa. É importante observar diferentes áreas, já que problemas de alinhamento, balanceamento ou suspensão podem provocar desgaste desigual. Entre os pontos avaliados estão a profundidade dos sulcos principais, a diferença de desgaste entre os lados, áreas completamente lisas e a presença de bolhas, cortes, deformações ou materiais expostos.
Multa e retenção do veículo
Conduzir um veículo em mau estado de conservação, com comprometimento da segurança, pode se enquadrar no artigo 230, inciso XVIII, do CTB. A infração é grave e prevê multa de R$ 195,23, cinco pontos e retenção do veículo para regularização.
A liberação depois da abordagem depende das condições de segurança e do procedimento adotado pela autoridade. Se o desgaste representar risco, dizer que o pneu está cheio e não tem furos não elimina a irregularidade. Pode ser necessário substituir o componente antes de continuar o trajeto.
Antes de sair, o motorista deve conferir os quatro pneus, procurar áreas lisas ou com desgaste desigual e verificar rachaduras, bolhas e cortes nas laterais. Também é preciso observar a calibragem indicada pelo fabricante e as condições do estepe, quando ele fizer parte dos equipamentos exigidos. A checagem dos indicadores durante a calibragem ajuda a detectar o problema e também pode revelar desalinhamento, pressão incorreta e desgaste prematuro.







