CAMPO GRANDE — A musculação pode contribuir tanto para mudanças na aparência quanto para a preservação da força e da autonomia ao longo do envelhecimento. Para isso, o treino precisa considerar as condições físicas, as limitações e o tempo de recuperação de cada pessoa.
Sirlei Machado, de 73 anos, começou a se dedicar à musculação depois de interromper as caminhadas por recomendação médica. Diagnosticada com melanoma, ela preferiu evitar o sol e passou a frequentar a academia. Hoje, comemora conseguir fazer agachamentos e mantém o acompanhamento de uma personal trainer há seis meses.
A aposentada afirma que não enfrentava dificuldades para subir escadas ou se levantar, mas treina para preservar essas capacidades e prevenir a sarcopenia, condição marcada pela perda de força e massa muscular durante o envelhecimento.
Aparência, força e limites
A esteticista Marisa Folhes, 50 anos mais jovem que Sirlei, pratica musculação todos os dias há 2 anos. Ela busca melhorar a mobilidade na velhice, mas também quer resultados visuais. A profissional conta que, em alguns momentos, exagera nos treinos por pressão estética. Esse relato, porém, não indica diagnóstico de overtraining, que exige avaliação e a exclusão de outras causas.
O geriatra Marcos Blini destaca que os exercícios de força ajudam a formar uma reserva muscular. Para ele, essa preparação pode favorecer a manutenção da mobilidade durante uma internação e depois da alta.
A personal trainer Giovanna Nantes ressalta que o tamanho do músculo não mostra, sozinho, como uma pessoa se movimenta. Na avaliação dos alunos, ela considera força, movimentos e limitações, além da composição corporal.
Quando o treino passa do limite
O overtraining está relacionado ao desequilíbrio prolongado entre esforço e recuperação. Pode envolver queda persistente de rendimento, fadiga e alterações de humor, mas não se resume ao cansaço depois da academia.
Giovanna também atende pessoas que perderam massa muscular após emagrecer sem acompanhamento adequado. A perda pode causar flacidez, redução do desempenho, cansaço, dores e diminuição da força. O geriatra alerta ainda para a obesidade sarcopênica, que combina excesso de peso e perda de massa muscular.
Para Sirlei, o treino continua de acordo com suas possibilidades. Com acompanhamento e respeito à dor no quadril, ela mantém o esforço para seguir realizando sozinha os movimentos que já consegue fazer.








