As corridas de rua cresceram 85% em relação a 2024, de acordo com dados apresentados pela Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO). Naquele ano, o número de eventos já havia aumentado 24% em comparação ao período anterior. Com a expansão, os cuidados com a saúde e a segurança passaram a ser ainda mais importantes, principalmente para quem não tem experiência ou preparo adequado.
Antes de escolher uma prova, o participante deve avaliar as próprias condições de saúde e verificar se está preparado para o esforço. Uma consulta médica pode identificar fatores de risco e problemas ainda não diagnosticados. A triagem recomendada pela Associação Americana do Coração inclui histórico cardiovascular, exame físico e eletrocardiograma em repouso, segundo Eduardo Segalla de Mello, cardiologista do Einstein Hospital Israelita.
Cristiano Faria Pisani, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), alerta que um esforço muito acima do habitual pode sobrecarregar o coração e desencadear arritmias graves. Em situações extremas, isso pode levar a uma parada cardíaca.
O treinamento estruturado com um preparador físico é indicado para reduzir os riscos ligados à falta de preparo. Os participantes também devem manter sob controle fatores como hipertensão, colesterol alto e diabetes, além do hábito de fumar. Hidratação, ingestão de eletrólitos e alimentação precisam ser planejadas, de preferência com orientação de um nutricionista. No dia da corrida, não é recomendável testar estratégias ou suplementos que não tenham sido usados nos treinos.
Quando interromper a corrida
Dor no peito, palpitações, tontura e visão turva estão entre os sinais que exigem atenção. Falta de ar forte, palidez, calor excessivo ou suor acima do normal também indicam que é hora de parar e buscar atendimento, sem insistir na atividade. “O organismo avisa quando está chegando ao seu limite”, afirma Cristiano Faria Pisani.
Infecções e indisposições, como gripe, diarreia ou uma noite mal dormida, também podem prejudicar a resposta do corpo ao esforço. Nessas situações, a orientação é não forçar a atividade e interromper a corrida se necessário.
A segurança começa ainda na escolha do evento. É importante pesquisar a experiência da empresa organizadora e conferir se há atendimento médico e paramédico, postos de assistência e hidratação ao longo do percurso. As ambulâncias devem contar com desfibriladores externos automáticos (DEA), capazes de chegar ao participante em até três minutos em uma emergência.
De acordo com o cardiologista Eduardo Segalla de Mello, a presença de DEA e de profissionais habilitados para realizar reanimação cardiovascular reduziu a taxa de letalidade em maratonas e meias-maratonas de 71% para 34% entre 2000-2009 e 2010-2023.







