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TJMS cassa graduação de segundo-sargento após condenações por desacato

Policial afirma que enfrentava uma crise de saúde mental quando foi abordado em 2022; defesa anunciou recurso contra a decisão unânime.

TJMS cassa graduação de segundo-sargento após condenações por desacato
Foto: Sejusp/Saul Schramm

A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul cassou, por unanimidade, a graduação de um segundo-sargento da Polícia Militar condenado por desacato e resistência à prisão. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (24), após o Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul apresentar representação contra o policial.

O episódio ocorreu em 2022, depois que a esposa do militar, também policial, pediu ajuda à corporação ao perceber o risco de ele tirar a própria vida. Segundo o sargento, ele atravessava uma crise de saúde mental relacionada a dificuldades familiares e a sucessivas transferências de unidade. Ele estava em tratamento psiquiátrico e afastado do serviço por mais de 30 dias.

Abordagem e condenação

O policial afirma que estava de folga e desarmado quando foi localizado por uma equipe na saída de um supermercado. No local, ele havia comprado uma substância tóxica. Conforme o relato do militar, ele tentou se afastar dos policiais e ofendeu superiores para que deixassem o local. Depois de receber voz de prisão, avançou na direção de um dos agentes porque acreditava que poderia ser baleado.

Já dentro da viatura, o sargento diz que ingeriu a substância e precisou de atendimento médico. Ele permaneceu internado por mais de três semanas em uma clínica psiquiátrica. A defesa argumenta que as condições de saúde do policial deveriam ter sido consideradas com mais atenção durante a abordagem e no processo criminal.

“Eu queria morrer”, afirmou o policial. Ele também disse que documentos médicos e declarações de colegas foram apresentados à defesa, mas esse material não foi disponibilizado.

A advogada Saviani Guarnieri Martins Santana informou que o militar serviu na Marinha e no Exército antes de entrar na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, em 2004. A defesa afirma que ele recebeu 49 elogios, tinha comportamento funcional classificado como “ótimo” e foi condecorado, em 2017, com a Medalha da Insígnia do Mérito.

Segundo a advogada, o adoecimento foi associado ao estresse da atividade operacional e agravado por problemas pessoais. Ela também afirma que militares envolvidos na ocorrência e antigos comandantes deram declarações favoráveis ao sargento. Oficiais teriam relatado que ele estava “completamente fora de si” durante o episódio.

Decisão do tribunal

Ao analisar a representação, o TJMS não reabriu a discussão sobre a responsabilidade do policial nos processos anteriores. Os desembargadores avaliaram se as condutas reconhecidas nas condenações definitivas eram compatíveis com a manutenção da graduação militar.

Também foi considerada uma condenação definitiva anterior por falsidade ideológica cometida em contexto funcional. Para o colegiado, esse antecedente impediu que os crimes de desacato e resistência fossem tratados como um episódio absolutamente isolado.

A cassação da graduação não significa, por si só, exclusão ou demissão da corporação. O policial afirma que cumpriu sete meses de pena em unidade militar e voltou ao trabalho depois de deixar a prisão. A defesa anunciou que vai recorrer.

O sargento relata que a decisão afetou novamente sua saúde e que deve retomar o acompanhamento com psiquiatra e psicólogo nos próximos dias. Ele também afirma ter sido aprovado nos concursos para oficial da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, mas acredita que a cassação poderá impedir sua matrícula nos cursos de formação.

Em Campo Grande, o Grupo Amor Vida oferece apoio emocional gratuito pelo número 0800 750 5554. Também é possível procurar o Núcleo de Saúde Mental, o CAPS ou o CVV, pelo telefone 188. Em emergências, a Polícia Militar atende pelo 190 e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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