CAMPO GRANDE — A Santa Casa de Campo Grande continua de portas abertas, com transplantes, banco de sangue, banco de leite e atendimento na UTI neonatal. O hospital, considerado a maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul, também enfrenta investigações por fraudes em contratos.
Em 11 de setembro, uma força-tarefa esteve na unidade para apurar fraudes milionárias. Na manhã desta segunda-feira (dia 21), porém, o atendimento seguia normalmente, com equipes dedicadas a pacientes em diferentes situações.
Um transplante que mudou uma rotina
Aparecido Gonçalves Vilalba, de 58 anos, mora em Antônio João e voltou à Santa Casa para uma consulta depois de receber um transplante de rim. Antes do procedimento, ele fazia hemodiálise havia três anos e oito meses e precisava viajar até Ponta Porã para o tratamento.
A ligação que avisou sobre a disponibilidade do órgão foi feita pela nefrologista Rafaella Campanholo Grandinete. Aparecido recebeu a notícia perto das 23h30, na noite de 16 de junho. Na manhã seguinte, às 6h10, já estava em Campo Grande para ser atendido.
O paciente conta que nunca tinha ido ao hospital e que foi bem recebido pela equipe. A esposa, Ilza Vilalba, de 69 anos, relata que ele havia perdido a força nas pernas e voltou a caminhar depois do transplante.
Rafaella trabalha na Santa Casa há uma década e explica que o transplante depende da participação de diferentes setores, da recepção à equipe médica. O procedimento renal dura cerca de quatro horas.
“É uma engrenagem que precisa rodar”, diz a nefrologista, ao destacar que cada profissional precisa reconhecer a prioridade do paciente transplantado.
Doações e cuidado com recém-nascidos
No Banco de Sangue, o médico Pedro Santiago e Souza, de 41 anos, mantém o hábito de doar sangue quatro vezes por ano. Ele afirma que se sente responsável por ajudar enquanto tiver condições de saúde.
O setor é coordenado pelo médico Tsutomu Fukuchi, de 82 anos, que trabalha na Santa Casa há 25 anos. Entre as histórias que mais o marcaram está a de uma mulher com sangue B negativo. Ela soube da necessidade de doação pela televisão, na casa de uma vizinha, e conseguiu ir ao hospital porque recebeu ajuda para pagar o transporte.
As doações podem ser feitas de segunda a sexta-feira, entre 7h e 11h. De acordo com o banco, A negativo, B negativo e AB negativo estão entre as tipagens mais difíceis de encontrar.
Na UTI neonatal, Noah recebe cuidados depois de nascer com 600 gramas, em 16 de setembro. O bebê nasceu com 22 semanas, no quinto mês de gestação, e segue recebendo leite materno em pequenas quantidades.
A mãe, Vitória Yzabela Xavier, de 20 anos, tem mais três filhos e não consegue permanecer o tempo todo no hospital. Ela afirma que confia no atendimento oferecido ao bebê e acompanha cada evolução enquanto espera levá-lo para casa.
Vitória organiza uma rifa de bolos para pagar o transporte até a Santa Casa e também busca ajuda para montar o enxoval. O marido perdeu o emprego.
Banco de Leite atende 70 crianças por mês
O Banco de Leite da Santa Casa existe há 24 anos e atende 70 crianças por mês, segundo a supervisora Isabella Tozzi. A maioria dos pacientes é formada por recém-nascidos prematuros, além de bebês que não podem receber fórmula infantil ou cujas mães não conseguem manter a amamentação.
O serviço busca doadoras, recolhe o leite nas casas, faz a pasteurização e realiza exames para garantir a segurança do alimento.
Para doar, a mãe precisa estar em boas condições de saúde, ter feito os exames do pré-natal e contar com leite excedente depois de amamentar o próprio bebê. O contato pode ser feito pelo telefone (67) 3322-4174 ou pelo WhatsApp (67) 98472-5256.








