FORTALEZA — A Polícia Civil do Ceará investiga a morte de Isabelle Caracristi, estudante de Direito de 22 anos, encontrada sem vida na cobertura do prédio onde morava com o namorado e familiares dele, no bairro Aldeota. O corpo foi localizado no dia 13 de setembro, e a causa da morte ainda não foi divulgada oficialmente.
A investigação aguarda a perícia nos aparelhos eletrônicos da jovem e de sua sogra, Sara Regina Alexandre Munhoz. O celular de Isabelle foi recuperado, enquanto o telefone e um tablet de Sara também serão examinados. Quatro pessoas já prestaram depoimento, e outras quatro devem ser ouvidas.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que os exames identificaram lesões compatíveis com impacto contra o solo. Os testes laboratoriais tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico. Até agora, não foi divulgada uma linha de investigação. João Munhoz Neto e Sara não são tratados como suspeitos; apenas ela foi localizada.
Horários registrados pelas câmeras
Imagens de monitoramento mostram que Isabelle chegou ao prédio às 17h58, levando uma mala, e foi recebida por João Munhoz Neto, de 33 anos. Os dois seguiram de elevador até o apartamento, no 15º andar.
Às 18h31, João saiu do imóvel usando outra camiseta. Depois de conversar rapidamente com um funcionário na portaria, deixou o prédio. Às 19h12, Isabelle entrou sozinha no elevador, com o celular nas mãos, e subiu até a cobertura, no 23º andar.
A perícia estimou que a morte ocorreu por volta das 20h40, cerca de 1h30 depois. João retornou de carro ao condomínio às 22h48, quando um veículo da Perícia Forense já estava no local.
Relatos da família
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Isorlanda Caracristi, mãe da estudante, pediu explicações sobre o caso e relatou o último contato com a filha. Segundo ela, Isabelle havia passado o fim de semana em sua companhia e, no dia da morte, recebeu várias mensagens do namorado.
A mãe afirmou que a filha se queixava de dores no pescoço e havia tomado um relaxante muscular. No fim da tarde, Isabelle disse que iria à missa com João e os familiares dele. Por volta das 19h, lembrou-se de um frango deixado na airfryer e depois enviou à mãe: “Mãe, eu te amo”.
Isorlanda disse que estranhou não receber uma mensagem de boa noite, mas imaginou que a filha estivesse dormindo por causa do remédio. Ela soube da morte no dia seguinte, depois de não conseguir falar com Isabelle nem com João e ir ao condomínio. Conforme o relato, a síndica informou o que havia acontecido.
A mãe também afirmou que foi bloqueada ao tentar ligar e enviar mensagens para João. Segundo ela, ele e os familiares não foram ao velório ou ao enterro e não fizeram contato desde a morte.
Suspeita de gravidez
Rafael Magalhães, irmão de Isabelle, afirmou que a jovem estava grávida. De acordo com ele, a família recebeu essa informação no domingo (20), a partir de dados do celular que passa por perícia. Ele não soube informar o tempo de gestação, e os exames capazes de confirmar a gravidez ainda não tiveram resultado divulgado.
Rafael também relatou que João enviava dezenas de mensagens quando Isabelle estava com a família e não gostava que ela saísse sozinha para comprar comida durante o estágio. A família, segundo ele, ainda não tem informações sobre a dinâmica da morte e questionou a hipótese inicial de que a jovem teria tirado a própria vida.
Isorlanda contou que Isabelle conheceu João na primeira semana de estágio no escritório de advocacia onde ele trabalhava. A mãe afirmou que, dez dias depois do início do estágio, a filha contou que os dois estavam namorando e classificou a relação como obsessiva. Ela também disse que João tentou acompanhá-la durante um exame ginecológico.
A Polícia Civil do Ceará informou que realiza uma série de diligências relacionadas às investigações. Rafael declarou ainda que a família teve acesso a informações que não podem ser divulgadas para não prejudicar o trabalho policial.








