CAMPO GRANDE — Uma carga de 326 quilos de cocaína apreendida em uma ação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) teria sido negociada minutos depois de chegar à Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Campo Grande. A suspeita é investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
O entorpecente foi entregue à Denar às 13h04 de 14 de dezembro de 2022, após ser localizado em um compartimento escondido de um veículo. Conforme o boletim citado no relatório, o automóvel transportava uma placa solar e foi abordado na Avenida Gunter Hans. Na fiscalização, foram encontrados 300 invólucros de cloridrato de cocaína. Dois homens acabaram presos em flagrante.
Conversas após a apreensão
De acordo com o relatório do Gaeco, às 13h52, o traficante Edmilson Santos Pereira e Lucas da Silva dos Santos, apontado como intermediário dos policiais e conhecido como “LK”, conversaram sobre a compra da droga. Para os investigadores, o diálogo fazia referência ao carregamento que havia chegado à delegacia.
A investigação cita como policiais envolvidos Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva. A suspeita de que o material negociado era o mesmo apreendido pela PRF e pelo Dracco também se apoia em imagens, conversas e uma inscrição encontrada nos tabletes.
Três dias depois da apreensão, durante a perícia, os investigadores identificaram a marca “BUGATTI” em parte da cocaína. Em 17 de dezembro, Lucas teria enviado a Edmilson uma fotografia de um pacote com a mesma inscrição. Embora a imagem original tenha sido apagada, uma miniatura continuou armazenada no celular de Edmilson.
Para o Gaeco, essa correspondência seria uma das evidências de que a droga tratada nas conversas pertencia à carga apreendida em 14 de dezembro.
Discussão sobre quantidade e pagamentos
Nos dias seguintes, os envolvidos teriam falado sobre valores e volume. Em uma das conversas, Lucas perguntou sobre a possibilidade de conseguir “uns 40”. A investigação interpreta a expressão como uma referência a 40 quilos de cocaína.
Em outro áudio mencionado no relatório, Lucas afirma: “Dá pra nós ganhar um lucrinho entendeu? Girar dinheiro pô, pra depois pagar os caras.” Para o Gaeco, a fala indicaria a intenção de retirar uma parte da carga, revendê-la e utilizar o dinheiro para pagar os supostos fornecedores.
O relatório também aponta que a negociação dependia de pagamentos, feitos principalmente em dinheiro vivo. Em determinado momento, Edmilson teria enviado imagens de maços de dinheiro para mostrar que dispunha de valores. Lucas ainda teria cobrado o pagamento e explicado que precisava acertar os valores antes de obter novas cargas.
As conversas registradas em dezembro também mostram preocupação com a proximidade das férias dos supostos fornecedores. Para o Gaeco, a referência seria aos policiais lotados na Denar, que entrariam nesse período naquela semana.







