BRASÍLIA — As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, foram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
É nesse cenário que o governo Luiz Inácio Lula da Silva levará à Organização Mundial do Comércio (OMC), nesta sexta-feira (25), a contestação formal contra as tarifas impostas pela gestão Donald Trump. A reunião será realizada em Genebra, na Suíça, e não deve produzir uma solução imediata para a disputa.
A participação dos Estados Unidos no total exportado pelo Brasil também diminuiu: passou de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período de 2026. O MDIC relaciona o desempenho à intensificação das medidas tarifárias norte-americanas e à incerteza nas relações comerciais entre os dois países.
Quais tarifas estão em discussão
O pedido brasileiro foi protocolado em 27 de julho e envolve duas medidas dos Estados Unidos. A primeira aplica sobretaxa de 25% a determinados produtos, com base em alegações de práticas comerciais injustas. A segunda acrescenta 12,5%, após uma investigação sobre políticas de prevenção à importação de itens fabricados com trabalho forçado.
Como as cobranças podem ser acumuladas, alguns produtos chegam a enfrentar 37,5% em sobretaxas. De acordo com o MDIC, 16,5% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos estão sujeitas às duas medidas. A lista inclui máquinas e equipamentos, madeiras, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
Outros 4,7% sofrem apenas a tarifa de 12,5%, enquanto 1,9% estão sujeitos exclusivamente à cobrança de 25%. As duas medidas e as sobretaxas setoriais baseadas na Seção 232 não atingem 52,7% das exportações brasileiras.
O governo brasileiro considera que as tarifas violam compromissos internacionais e princípios do comércio multilateral. A consulta é a primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Se não houver acordo, o Brasil poderá pedir a abertura de um painel para analisar a compatibilidade das medidas com os acordos administrados pela organização.
Brasil e Estados Unidos também mantêm negociações diretas. Em 31 de agosto, Mauro Vieira, Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer participaram de uma reunião virtual sobre as decisões tarifárias baseadas na Seção 301.
A China pediu para participar das consultas, alegando ter “interesse comercial substancial” na discussão. A presença depende da autorização de Brasil e Estados Unidos. O Órgão de Apelação da OMC está paralisado desde 2019.






