A Organização Mundial do Comércio (OMC) receberá, na sexta-feira (25), a primeira reunião oficial entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas adicionais aplicadas a produtos brasileiros. O encontro será realizado em Genebra, na Suíça, com a participação de diplomatas dos dois países. Uma comitiva brasileira seguirá para a sede da entidade na quarta-feira (23).
A reunião faz parte da etapa inicial do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. O momento é voltado a esclarecimentos e à tentativa de construir um entendimento negociado entre as partes. Essa fase ainda não corresponde à abertura de um painel contencioso e também não assegura um acordo imediato.
O governo brasileiro apresentou o pedido formal no final de julho. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que a solicitação questiona sobretaxas originadas de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Os procedimentos foram baseados na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Uma das medidas estabelece uma alíquota extra de 25% sobre exportações brasileiras, sob a justificativa de supostas práticas comerciais inadequadas. A cobrança está em vigor desde 22 de julho. A outra impõe uma taxa de 12,5%, associada a investigações sobre trabalho forçado. As duas medidas têm listas de exceções parciais.
Como o processo avançou
O pedido brasileiro foi formalizado na OMC em 27 de julho. Em 10 de agosto, os Estados Unidos confirmaram o aceite e disseram estar disponíveis para marcar as reuniões multilaterais em uma data conveniente para os dois governos.
A China pediu, no mesmo dia, para participar das consultas como terceira parte interessada. O país também enfrenta barreiras e tarifas dentro da política comercial dos Estados Unidos.
A disputa reúne medidas adotadas em diferentes momentos. No chamado “Dia da Liberação”, a Casa Branca estabeleceu uma tarifa recíproca geral de 10% para o Brasil. Em 9 de julho de 2025, o governo norte-americano anunciou mais 40%, elevando a alíquota total para 50%. Na ocasião, a justificativa mencionava uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou a tarifa de 50% em fevereiro de 2026, Washington criou uma cobrança global temporária de 10%, que continua em vigor. Em 15 de julho deste ano, o USTR concluiu uma investigação comercial que resultou na sobretaxa de 25%. Em 23 de julho, outra apuração, relacionada a normas trabalhistas, levou à taxa de 12,5%.
Conversas diretas entre os governos
A agenda da OMC ocorre paralelamente à retomada das negociações bilaterais entre Brasília e Washington. O diálogo foi reaberto depois de uma conversa telefônica entre o presidente Lula e Donald Trump.
Na sequência, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, conversou por videochamada com o titular do USTR, Jamieson Greer. O contato restabeleceu a mesa de negociações, interrompida desde julho.
Também está pré-agendada uma reunião presencial de alto nível entre 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, no estado de Wisconsin. O encontro deverá ocorrer paralelamente à agenda oficial do G20, presidido neste ano pelos Estados Unidos.






