Conservar alimentos em casa exige combinar temperatura, embalagem e tempo de armazenamento. A geladeira deve ficar abaixo de 5°C, enquanto o freezer precisa operar a -18°C ou menos. Potes, sacos e recipientes adequados protegem contra ressecamento, odores, umidade e contaminação.
Geladeira e freezer bem organizados
A Anvisa orienta manter alimentos perecíveis refrigerados e descongelar tudo dentro da geladeira, nunca sobre a pia. Se o aparelho não mostrar a temperatura em graus, consulte o manual e ajuste a regulagem conforme a quantidade de alimentos, a temperatura ambiente e a frequência de abertura da porta.
Na parte superior, coloque alimentos prontos, sobras e itens que serão consumidos sem novo cozimento. As prateleiras intermediárias são indicadas para laticínios, ovos e outros produtos refrigerados. Carnes, aves e pescados crus devem ficar na parte mais baixa, dentro de recipientes que contenham vazamentos e evitem contato com outros alimentos. Bebidas, condimentos e itens menos sensíveis podem ocupar a porta.
Não cubra as prateleiras com panos, toalhas ou papel. Também evite bloquear as saídas de ar ou compactar demais os alimentos, pois a refrigeração pode ficar menos uniforme.
Sobras precisam esfriar rapidamente
Arroz, feijão, macarrão, carnes cozidas, sopas, tortas e marmitas devem ser refrigerados em até duas horas depois do preparo ou do serviço. Para acelerar o resfriamento, divida a comida em porções menores e use potes rasos, de vidro, plástico próprio para alimentos ou inox, sempre limpos e tampados.
Identifique os recipientes com o nome e a data de preparo, especialmente quando for congelar. Alimentos preparados refrigerados devem ser consumidos em até cinco dias, conforme orientação da Anvisa. Sobras com carne, frango, peixe, molho cremoso ou maionese podem ser planejadas para os primeiros três ou quatro dias.
Ao congelar, deixe pouco espaço livre no pote, já que os líquidos aumentam de volume. Em sacos próprios para freezer, retire o máximo de ar. Para descongelar, passe a porção para a geladeira com antecedência ou use o micro-ondas quando o alimento for levado imediatamente ao cozimento.
Descarte a comida que ficou mais de duas horas fora da geladeira, teve temperatura desconhecida ou apresenta cheiro azedo, mofo, formação de gás ou aspecto viscoso. Cheiro e aparência, sozinhos, não garantem que o alimento esteja seguro.
Carnes, laticínios e ovos
Carnes bovina, suína, frango e pescado crus devem ser guardados logo depois das compras. Se forem preparados em um ou dois dias, podem ficar refrigerados; caso contrário, o freezer é a opção mais segura. Carne moída, frango e peixe são mais perecíveis e exigem uso rápido.
Mantenha a embalagem original apenas quando ela estiver íntegra, sem vazamentos e dentro da validade. Se houver líquido escorrendo, use uma travessa funda ou transfira o alimento para um pote tampado. Não lave carne crua, frango ou peixe antes de guardar, pois os respingos podem espalhar microrganismos.
Leite, iogurte, queijos frescos, requeijão e frios devem permanecer refrigerados e bem fechados depois de abertos. O prazo do rótulo para o produto fechado não vale automaticamente após a abertura: siga a orientação específica do fabricante.
Ovos devem ficar preferencialmente refrigerados, protegidos na embalagem original. Não os lave antes de guardar. Ovos rachados devem ser descartados ou usados somente em receita totalmente cozida quando a quebra ocorrer durante o preparo.
Hortaliças e frutas
Folhas, brócolis, cenoura, beterraba, couve-flor, milho-verde, rabanete e morango devem ser refrigerados. Alho, cebola, batata, batata-doce, inhame e abóbora seca conservam-se melhor em local fresco, seco, escuro e ventilado.
Use sacos próprios para alimentos ou potes tampados, sem apertar demais os vegetais. Folhas lavadas precisam estar bem secas; papel-toalha limpo ajuda a absorver o excesso de umidade. Morango, quiabo e abobrinha devem ser lavados perto do consumo. Vegetais cortados precisam ficar em pote fechado e refrigerado.
A Embrapa considera até uma semana uma referência geral para hortaliças refrigeradas, mas o período varia conforme o produto e as condições da compra. Brócolis, milho-verde, ervilha e morango costumam perder qualidade antes; repolho, cenoura, beterraba e nabo tendem a resistir mais.
Frutas inteiras e verdes podem amadurecer fora da geladeira, longe do sol e da umidade. Depois de maduras, a refrigeração ajuda a desacelerar a perda de qualidade. Frutas cortadas devem ficar em pote fechado na geladeira e ser consumidas rapidamente. Melão e melancia precisam ser refrigerados depois de abertos.
Cuidados na despensa
Arroz, feijão seco, farinhas, massas, biscoitos, café, castanhas e temperos devem ficar em armário fresco, seco, limpo e protegido da luz. Depois de abertos, produtos que absorvem umidade podem ser transferidos para potes herméticos. Identifique o nome e a data de abertura, mantendo a embalagem ou anotando o prazo do rótulo.
Latas estufadas, enferrujadas, vazando ou muito amassadas na costura devem ser descartadas. Depois de abrir uma conserva, transfira o conteúdo para um pote de vidro, plástico próprio para alimentos ou inox e leve à geladeira. Não guarde o restante na lata aberta.
Também descarte alimentos com embalagem estufada, vazamento ou selo rompido. Não prove produtos com mofo e não tente aproveitar apenas retirando a parte visível em alimentos macios, cozidos ou muito úmidos. Alimentos crus descongelados fora da geladeira, ou cuja temperatura e tempo de exposição sejam desconhecidos, não devem ser recongelados.
Uma boa revisão começa pela geladeira: confira a temperatura, descarte o que não tem data e mantenha carnes cruas contidas na prateleira mais baixa.







