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Relatório aponta falhas de fiscalização no transporte coletivo de Campo Grande

Documento identificou concentração de funções em compras, manutenção, estoque e atendimento a reclamações de passageiros.

Relatório aponta falhas de fiscalização no transporte coletivo de Campo Grande

O relatório preliminar da intervenção no transporte coletivo de Campo Grande identificou concentração de funções em áreas que deveriam fiscalizar umas às outras dentro do Consórcio Guaicurus. O documento foi entregue à Câmara Municipal nesta terça-feira (22).

Em um dos principais problemas apontados, um mesmo coordenador controlava a manutenção, as compras e os almoxarifados das garagens da Viação Cidade Morena e da Viação Campo Grande. Na prática, ele identificava a necessidade de peças, negociava preços, emitia pedidos, acompanhava o recebimento, administrava o estoque, autorizava o uso dos materiais e registrava a baixa dos itens.

O profissional aparecia no organograma como supervisor de compras, mas, segundo o relatório, exercia na rotina a função de coordenador operacional. A concentração eliminava a conferência independente entre a identificação da necessidade, a compra, o armazenamento e a aplicação das peças.

O coordenador também negociava a aquisição de óleo diesel, pneus novos e serviços de recapagem. Diesel e pneus representavam entre 40% e 60% dos custos de operação de uma empresa de transporte público, conforme o levantamento. As compras eram realizadas sem análise técnica concorrente, comitê de suprimentos, concorrência transparente ou conferência independente da entrega física.

O documento não afirma que houve desvio de materiais, superfaturamento ou favorecimento de fornecedores. A avaliação é de que o modelo dificultava a apuração de diferenças no estoque, perdas de combustível e dúvidas sobre preços ou qualidade dos produtos, porque a mesma autoridade participava da compra e da fiscalização.

Reclamações de passageiros

A intervenção também encontrou concentração no atendimento aos passageiros. O Centro de Controle Operacional (CCO), o monitoramento dos ônibus e o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) estavam subordinados à mesma coordenação.

Pelo fluxo esperado, o SAC receberia a reclamação, o monitoramento verificaria o que ocorreu na rua e o CCO explicaria as decisões tomadas durante a operação. Em uma queixa sobre viagem não realizada, por exemplo, os dados de circulação dos veículos deveriam ser conferidos antes da resposta ao passageiro. No modelo identificado, porém, todas as etapas permaneciam na mesma estrutura de comando.

O relatório recomenda separar o SAC do CCO e do monitoramento, com subordinação a uma ouvidoria ou área institucional. A medida permitiria verificar as reclamações com maior independência e melhorar a rastreabilidade entre a manifestação do passageiro, os dados operacionais e a justificativa apresentada.

Mudanças feitas pela intervenção

Após identificar a concentração, a intervenção retirou as compras da Coordenação Operacional. Os pedidos passaram a ser reunidos no Setor de Compras, subordinado diretamente ao interventor operacional.

A administração dos almoxarifados e das oficinas voltou aos gerentes de cada garagem. O controle operacional também passou para a supervisão direta da gerência, com acompanhamento do interventor. Conforme o documento, a mudança buscou proteger informações sobre a quantidade de ônibus em circulação, as viagens cumpridas e o consumo de diesel.

Para o período posterior à intervenção, o relatório recomenda uma reestruturação permanente. Entre as medidas estão vincular as compras à diretoria administrativa e financeira, exigir cotação com pelo menos três fornecedores, proibir compras diretas pelas chefias da manutenção e separar o atendimento ao passageiro das áreas responsáveis pela execução e pelo monitoramento do serviço.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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