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Intervenção encontra caixa insuficiente para salários no Consórcio Guaicurus

Relatório preliminar aponta falta de liquidez, crédito bancário quase esgotado e estoque crítico de diesel em Campo Grande.

Intervenção encontra caixa insuficiente para salários no Consórcio Guaicurus

A intervenção da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus encontrou R$ 415.198,44 nas contas bancárias das empresas consorciadas, enquanto havia um compromisso de R$ 1.035.784,72 com o adiantamento salarial dos trabalhadores. A posse da equipe ocorreu em 16 de junho de 2026, e o pagamento venceria no dia 20 de cada mês.

Do saldo disponível, R$ 147.679,28 estavam no Bradesco e R$ 267.519,16 no Sicredi. No Santander, não havia dinheiro em conta. O relatório preliminar classificou o cenário financeiro e operacional como de extrema fragilidade.

Crédito comprometido e diesel em nível crítico

As linhas de Conta Garantida contratadas no Bradesco e no Santander somavam R$ 11,8 milhões. Desse total, R$ 11,73 milhões já tinham sido utilizados. No Bradesco, os juros em aberto chegavam a R$ 233.127,31. Já no limite especial do Santander, dos R$ 1,33 milhão disponíveis, R$ 1.227.911,04 estavam comprometidos.

A equipe também encontrou estoque crítico de óleo diesel. O sistema consumia, em média, 26 metros cúbicos por dia, e o combustível disponível era suficiente para pouco tempo de operação. Por isso, a aquisição, o recebimento, o armazenamento, o abastecimento e o consumo passaram a ser tratados como processos críticos.

O relatório identificou ainda que um modelo de fornecimento por meio de Transportador-Revendedor-Retalhista elevava o preço em aproximadamente R$ 0,50 por litro em comparação com a compra direta junto às distribuidoras. Considerando o volume consumido, a diferença representava custo adicional superior a R$ 400 mil em apenas um mês.

Déficit e valores a receber

O diagnóstico aponta déficit operacional crônico, com receitas tarifárias insuficientes para cobrir as despesas correntes. As empresas consorciadas faziam aportes para tentar manter as atividades, mas a margem de liquidez era praticamente nula quando a Prefeitura assumiu a gestão.

Também foram encontradas falhas de controle financeiro, como lançamentos manuais, ausência de conciliação bancária automatizada e falta de segregação de funções. Em algumas situações, o mesmo profissional fazia e aprovava registros no sistema ERP Globus. O documento ressalva que não há presunção de culpa antes da conclusão do processo administrativo.

Apesar da falta de caixa, o Consórcio Guaicurus tinha R$ 6.628.072,23 a receber da Prefeitura de Campo Grande em 16 de junho. O valor incluía R$ 927.631,44 do Passe Servidor, R$ 2.546.926,20 de subvenção municipal e R$ 3.153.514,59 destinados a estudantes estaduais. Em 15 de setembro, o saldo havia caído para R$ 4.888.640,04.

Relatório ainda é provisório

As cinco empresas da operação tinham saldo devedor consolidado de R$ 31,29 milhões perante a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O documento também registra movimentações entre empresas consorciadas e partes relacionadas que deverão passar por auditoria contábil e financeira independente.

Entregue à Prefeitura e à Câmara Municipal, o relatório tem 177 páginas e caráter preliminar. Suas conclusões podem ser confirmadas, ampliadas ou alteradas na avaliação final.

A equipe de intervenção recomenda uma reestruturação substancial do contrato de concessão firmado em 2012, com revisão de termos técnicos, operacionais, jurídicos e econômico-financeiros. A comissão processante da Prefeitura deverá apurar eventuais irregularidades e responsabilidades, enquanto a intervenção mantém a gestão temporária e o levantamento das informações.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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