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Prefeitura de Campo Grande quer concluir intervenção antes de rever tarifa de ônibus

Município contesta cobrança de cerca de R$ 830 milhões e defende que a intervenção termine antes de nova decisão sobre o contrato.

Prefeitura de Campo Grande quer concluir intervenção antes de rever tarifa de ônibus
Foto: Arquivo/Juliano Almeida

A Prefeitura de Campo Grande quer que a discussão sobre a tarifa técnica e uma possível indenização ao Consórcio Guaicurus fique para depois da conclusão da intervenção no contrato de transporte coletivo. A Procuradoria-Geral do Município defende que a apuração administrativa determine primeiro as obrigações, responsabilidades e a situação financeira da concessão.

A posição foi apresentada nas alegações finais de um processo movido pelas empresas de ônibus em 2023. A ação tramita na 4ª Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos e trata da revisão da equação econômico-financeira do contrato, incluindo a correção da tarifa técnica e um eventual reequilíbrio contratual.

Cobrança de R$ 830 milhões

O Consórcio Guaicurus sustenta que a Prefeitura deve corrigir a tarifa técnica, valor usado para complementar o preço pago pelos passageiros. As empresas também discutem uma possível indenização por perdas relacionadas à concessão.

De acordo com a Procuradoria, se o pedido do consórcio for aceito, o Município poderá desembolsar cerca de R$ 830 milhões. O valor consta de um segundo laudo pericial apresentado como referência para uma eventual indenização.

A Prefeitura questiona a metodologia e os documentos usados no cálculo. A defesa afirma que as planilhas com o detalhamento da quantia não foram transferidas integralmente do processo em que a perícia foi realizada para a ação que debate a tarifa e o desequilíbrio contratual.

O Município também aponta que duas perícias chegaram a resultados diferentes. Uma delas teria indicado que não houve perda para as empresas. O montante de cerca de R$ 830 milhões apareceu no segundo estudo, que é contestado pela Procuradoria.

A ação envolve, além do Município, a Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) e a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Um dos argumentos do consórcio é que a própria Agereg teria apontado uma tarifa técnica de R$ 7,79, valor do qual a Prefeitura depois recuou.

Intervenção no contrato

A Prefeitura decretou em junho deste ano uma intervenção no contrato, com duração de até 180 dias. O procedimento administrativo analisa a execução da concessão e utiliza informações mais recentes, além de documentos operacionais das empresas.

Um relatório do que foi apurado deve ser enviado à prefeita Adriane Lopes (PP). Ao final da intervenção, a Administração pretende identificar os direitos e as obrigações de cada lado, com possibilidade de fazer um encontro de contas.

Entre os pontos cobrados das empresas está a falta de investimentos na atualização da frota. Para a Procuradoria, estabelecer agora uma nova tarifa técnica ou uma indenização poderia antecipar uma recomposição contratual antes do fim da apuração e gerar uma dupla recomposição do contrato.

Recurso sobre reajuste

Enquanto aguarda a sentença da ação em primeira instância, o Consórcio Guaicurus recorreu ao TJMS (Tribunal de Justiça) para tentar obter a correção da tarifa técnica e a aplicação de uma multa diária de R$ 80 mil contra a Prefeitura, relacionada à não aplicação do valor.

Em um agravo de instrumento, o tribunal rejeitou o pedido. As empresas apresentaram embargos de declaração, alegando que pontos do julgamento dos desembargadores ficaram imprecisos.

Em Campo Grande, a passagem custa R$ 4,95, enquanto a tarifa técnica é de R$ 6,17. A diferença é repassada pelo Município para cobrir as despesas da planilha usada na definição do valor pago pelos passageiros. O caso também foi discutido no TCE (Tribunal de Contas do Estado), onde foi firmado um TAG (Termo de Ajustamento de Gestão).

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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