CAMPO GRANDE — A pintura em vidro ajudou Marina Moreira de Andrade, de 45 anos, a atravessar o luto pela morte da mãe e se tornou também uma atividade profissional. À frente da MMA Home Decor, ela vende taças pintadas à mão e organiza workshops que combinam arte, gastronomia e degustação de vinhos e espumantes.
A loja funciona dentro de um clube de tiro, no Bairro Vila Progresso. O endereço foi escolhido para dividir custos, já que, segundo Marina, manter sozinha todas as despesas de um estabelecimento seria inviável. A localização chama a atenção das clientes e aproximou dois universos diferentes: a decoração de mesa e as armas de fogo.
Da infância ao trabalho com vidro
Marina cresceu acompanhando a mãe, que era artista plástica, no ateliê. Desde cedo, conviveu com pincéis, tintas e diferentes técnicas, mas seguiu inicialmente outro caminho artístico e construiu uma carreira no balé.
A retomada da pintura aconteceu depois da morte da mãe, em 2021. A mãe foi morta por engano durante um assalto dentro de casa. Naquele período, Marina decidiu abrir uma loja voltada à decoração e à mesa posta. Em viagens a São Paulo (SP), onde conheceu fornecedores e participou de feiras, percebeu o espaço que a pintura em vidro vinha ganhando e decidiu voltar a trabalhar com uma técnica familiar.
“Comecei a pintar, me apaixonei e, para mim, mais do que um desafio, foi uma forma de sair do luto”, conta Marina.
As peças decoradas passaram a dividir espaço com outros produtos da loja e deram origem aos encontros presenciais. Em cada workshop, as participantes recebem 2 taças de cristal para pintar. A primeira edição teve tema livre; a segunda foi dedicada às orquídeas. Marina também estuda uma experiência inspirada em limão-siciliano.
Além de reunir amigas, familiares e pessoas interessadas em uma atividade diferente, os encontros atraem quem quer aprender a técnica para trabalhar. Uma participante veio de fora de Campo Grande porque atua com festas e queria produzir as próprias peças para compor mesas.
Taças, pratos e uma arma personalizada
Marina afirma que a procura também está ligada à valorização do feito à mão. As peças podem aparecer em encontros, aniversários, dates e presentes personalizados. Para ela, fazer o próprio presente acrescenta significado ao objeto.
Os workshops são programados, sempre que possível, para os períodos em que a loja de armas está fechada. Assim, os disparos não atrapalham a concentração das participantes. Mesmo com essa organização, a combinação costuma render comentários e brincadeiras. Algumas clientes já sugeriram unir as duas atividades, enquanto outras fazem trocadilhos ao encontrar pratos no espaço.
A pintura ultrapassou o vidro em uma encomenda. Marina customizou uma arma para uma cliente, usando um fundo em tom magenta e flores ao longo do cano. A peça foi comprada já com a personalização.
Materiais mantêm a lembrança da mãe
Depois da perda, Marina teve dificuldade para se desfazer dos pincéis, tintas e outros materiais deixados pela mãe. Os objetos permaneceram guardados mesmo antes de ela imaginar que voltaria a pintar.
Mais tarde, esses materiais ajudaram a manter uma sensação de proximidade com a mãe. Marina não define a pintura como terapia, mas reconhece o efeito da atividade durante o luto. “A pintura realmente não é terapia, mas é terapêutica. Foi uma forma de eu me sentir mais próxima dela”, afirma.
A MMA Home Decor fica na Rua Simón Bolívar, 510, no Bairro Vila Progresso.








