CAMPO GRANDE — A Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul informou que vai apurar a conduta do advogado Amilton Ferreira de Almeida, preso sob suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Infiltrados ao delegado Hoffman D'Ávila Cândido. A entidade afirmou que tomará as medidas disciplinares cabíveis, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório.
A Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados acompanha as diligências das operações Infiltrados e Obstructio. Amilton foi detido pelo Gaeco, durante a investigação sobre o vazamento de dados da Operação Infiltrados. A ação policial desmantelou uma organização criminosa envolvida no desvio de drogas com participação de policiais.
O advogado representava Hoffman, apontado como um dos líderes do esquema. Ele foi preso em sua residência, na Vila Albuquerque, onde também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Depois, foi levado para a Depac do Cepol.
Na quarta-feira (30), Amilton passou por audiência de custódia no Fórum de Campo Grande, e a prisão preventiva foi mantida. Cerca de 40 advogados acompanharam a audiência em protesto. Eles alegaram violação das prerrogativas da advocacia criminal e classificaram a prisão como ilegal.
O que diz a investigação
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul afirmou haver “evidências já materializadas” de uma comunicação criminosa relacionada ao vazamento da operação. Conforme os promotores, o repasse das informações sigilosas atrapalhou diretamente o andamento das investigações do Gaeco.
A advogada Damares Costa Machado, que representa Amilton, disse que o cliente havia combinado de tomar café com Hoffman por volta das 5h. Segundo a defesa, o horário era habitual porque os dois costumavam caminhar juntos no início da manhã.
Depois do encontro, Hoffman não voltou para casa e se apresentou voluntariamente à tarde na Corregedoria da Polícia Civil. Na quinta-feira (24), quando o delegado se apresentou, Amilton afirmou que a saída dele pouco antes da chegada dos policiais do Gaeco havia sido “pura coincidência” e negou o vazamento de informações.








