A investigação da Operação Infiltrados aponta que 637 quilos de cocaína e maconha teriam sido desviados ou negociados a partir de quatro apreensões realizadas em Mato Grosso do Sul. As cargas somavam 1.765 quilos e deveriam permanecer sob custódia do Estado até a destruição.
O caso envolve policiais civis da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), conforme a apuração do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
Intermediário entre traficantes e policiais
Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, é apontado como o elo entre traficantes e agentes públicos investigados. Ele teria recebido informações sobre carregamentos, negociado percentuais das drogas apreendidas e articulado a venda de entorpecentes retirados das cargas oficiais.
Também são citados Eberth Batista de Almeida, Kayon Lucas Leodoro da Silva, Lavínia Carvalho da Luz e Wesley Benite Matos Pereira Duarte. Segundo a investigação, eles participariam de etapas como armazenamento e comercialização das drogas.
O primeiro episódio ocorreu em 14 de dezembro de 2022, quando a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) apreenderam 326 quilos de cocaína em Campo Grande. O entorpecente estava em um fundo falso de um veículo que transportava placas solares, na Avenida Gunter Hans, e foi levado à Denar.
Poucas horas depois, LK e Edimilson Santos Pereira, apontado como líder de uma organização criminosa especializada em tráfico, teriam negociado com policiais a compra de parte da cocaína. A investigação também relaciona o episódio à marca “Bugatti”, identificada nos tabletes.
Apreensões de maconha e cocaína
Em 3 de maio de 2024, a Denar apreendeu 793 quilos de maconha em Campo Grande. A investigação afirma que a operação começou após uma informação repassada por LK, apresentada como denúncia anônima. O acordo, segundo o Gaeco, previa que o grupo recebesse 20% da droga.
O caso cita o policial civil Douglas Tobias e o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que comandava a Denar naquele período. Imagens encontradas nos dados telemáticos de LK mostrariam tabletes com o mesmo invólucro da maconha apreendida na operação.
Em 21 de maio de 2024, Hoffman realizou a apreensão de 643 quilos de cocaína em Bela Vista. A investigação sustenta que os envolvidos sabiam da existência de aproximadamente 1,1 tonelada no local, mas apenas parte foi apresentada oficialmente. Cerca de 400 quilos teriam sido desviados antes do registro final.
Nesse episódio, são citados Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Luiz Carlos de Souza, Douglas Tobias e o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa. O Gaeco também questiona o deslocamento de uma equipe de Campo Grande até a cidade de fronteira para verificar uma denúncia anônima.
Episódio envolvendo o Garras
O quarto caso ocorreu em 5 de outubro de 2025, no Jardim Los Angeles, em Campo Grande. LK e Kayon Lucas Leodoro da Silva teriam informado aos policiais do Garras que havia uma quantidade maior de maconha em uma residência.
O registro oficial apontou a apreensão de 3 quilos. A investigação afirma que outros 37 quilos teriam sido retirados antes que a ocorrência fosse formalizada. Os policiais Augusto Torres Galvão Florindo e Marcos André Santos Chaves aparecem relacionados ao episódio.
Florindo foi preso novamente. Em 28 de novembro de 2025, ele já havia sido alvo de uma apuração sobre suspeita de desvio e venda de mercadorias contrabandeadas que estavam sob custódia da Polícia Civil.
Para o Gaeco, os quatro episódios revelam um padrão: informações sobre cargas chegariam aos policiais, que teriam acesso aos entorpecentes apreendidos, enquanto LK faria a ligação com traficantes interessados nas mercadorias.
A operação cumpriu mandados de prisão contra 24 investigados, entre policiais civis, militares, policial penal e suspeitos ligados ao tráfico.







