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Interventor de Campo Grande questiona repasse de falhas do consórcio à tarifa

Alexandro de Oliveira reconhece possível desequilíbrio tarifário, mas diz que erros de gestão devem ser separados dos custos do serviço.

Interventor de Campo Grande questiona repasse de falhas do consórcio à tarifa

Decisões tomadas pelas empresas do Consórcio Guaicurus não devem ser transferidas automaticamente para a tarifa do transporte coletivo, afirmou o interventor-geral Alexandro de Oliveira. Segundo ele, a concessionária apresenta uma possível situação de desequilíbrio tarifário, mas a equipe responsável pela intervenção também identificou falhas de gestão.

A declaração foi dada nesta quarta-feira (16), enquanto um novo relatório parcial sobre a situação financeira e operacional do serviço está sendo preparado para entrega à prefeita Adriane Lopes (PP). O documento deve ser apresentado ainda nesta semana ou no começo da próxima.

Alexandro afirmou que a junta interventora não pode confirmar o desequilíbrio nem calcular uma eventual recomposição do contrato. Essa análise cabe à agência reguladora, por meio de um procedimento específico. Ele também disse que a equipe não tem competência para estabelecer uma nova tarifa.

“Se todo custo for passar para a tarifa, inclusive os riscos da empresa, das decisões erradas, daquilo que faz parte do risco do negócio dela, a tarifa vira um saco sem fundo”, afirmou o interventor.

Apesar das ressalvas, Alexandro não descartou a existência de desequilíbrio. Entre os fatores mencionados estão o déficit financeiro da operação e a alta nos preços de insumos, como o combustível. Para ele, porém, a discussão não pode considerar apenas a tarifa sem avaliar as escolhas administrativas da concessionária.

Histórico da disputa tarifária

O Consórcio Guaicurus reivindica reajustes e o reequilíbrio econômico-financeiro da concessão há anos. Em janeiro de 2025, depois de uma ação que cobrava o reajuste anual previsto em aditivo contratual, a passagem paga pelo usuário passou a custar R$ 4,95. Na mesma ocasião, a tarifa técnica foi fixada em R$ 6,17.

A tarifa do usuário é o valor pago pela passagem. Já a tarifa técnica representa a remuneração calculada para a operação do serviço. Quando a segunda fica acima do preço desembolsado pelo passageiro, a diferença pode ser coberta com recursos públicos. O reequilíbrio econômico-financeiro trata da recomposição das condições do contrato diante de alterações em receitas, custos e obrigações.

Em agosto de 2025, uma decisão judicial permitiu que a tarifa técnica chegasse a R$ 7,79. A concessionária alegou dificuldades financeiras e desequilíbrio contratual. O novo valor ficaria R$ 1,62 acima dos R$ 6,17 então aplicados por passageiro, sem que isso significasse aumento imediato no preço pago pelo usuário.

A prefeitura contestou a cobrança e sustentou que o reajuste anual já havia sido aplicado. O município também afirmou que uma análise da Agereg não havia identificado déficit tarifário suficiente para justificar a tarifa técnica de R$ 7,79.

Em março de 2026, o TJMS acolheu um recurso da prefeitura e suspendeu a fixação da tarifa técnica nesse valor. O município argumentou que benefícios concedidos às empresas, como subvenção econômica e isenção de ISS, deveriam entrar na análise. Na época, estimou em R$ 45 milhões o impacto financeiro da tarifa reivindicada.

Há também elementos favoráveis à discussão sobre a defasagem. Um laudo divulgado em maio de 2025 pelo Ibec Brasil, por determinação do TJMS, concluiu que os reajustes entre 2012 e 2024 não acompanharam a alta dos custos operacionais. Na CPI do Transporte, vereadores de Campo Grande discutiram ainda um déficit de R$ 377 milhões apontado pelo mesmo documento.

Conteúdo do novo relatório

O relatório parcial em preparação deverá reunir informações sobre receitas, despesas, dívidas, folha de pagamento, frota, manutenção e programação das viagens. O documento também prestará contas das medidas tomadas pela junta interventora.

Uma avaliação técnica e jurídica mais ampla da execução do contrato ao longo dos anos ficará para o relatório final. O primeiro documento preliminar, apresentado à Câmara em julho, apontou cerca de R$ 20 milhões em dívidas vencidas e problemas na manutenção da frota.

Alexandro também questionou por que a concessionária não teria apresentado pedidos de reequilíbrio quando surgiram fatos capazes de afetar os custos do serviço. Entre os exemplos, citou a pandemia e a frota envelhecida e fora dos parâmetros contratuais.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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