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Câncer de pulmão chega ao diagnóstico inicial em só 18% dos pacientes avaliados em SP

Análise com 16.038 pacientes do serviço público paulista mostra que 79% receberam o diagnóstico nos estágios III ou IV.

Câncer de pulmão chega ao diagnóstico inicial em só 18% dos pacientes avaliados em SP

Só 18% dos pacientes avaliados em um estudo sobre câncer de pulmão chegaram ao diagnóstico nos estágios I ou II, quando havia possibilidade de cura com o tratamento. A análise considerou 16.038 pessoas atendidas no serviço público de São Paulo, diagnosticadas entre 2000 e 2016, com acompanhamento encerrado em 2022.

O levantamento foi publicado no Journal of Thoracic Disease e mostrou que 79% dos casos estavam nos estágios III ou IV, considerados os mais avançados. O estágio IV concentrava 49,8% dos diagnósticos, enquanto o estágio III reunia 29,1%. As fases iniciais correspondiam a 11,6% dos casos no estágio I e 6,8% no estágio II.

Para Fernando Conrado Abrão, cirurgião torácico do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Oswaldo Cruz e coordenador da análise, a identificação precoce é importante para o prognóstico. O especialista afirmou que o câncer de pulmão costuma ser silencioso e que, quando surgem sinais, a doença pode já estar avançada.

“Esse dado (que reflete o diagnóstico tardio) é muito alarmante e bem atual”, disse Fernando.

Tabagismo e rastreamento

Evitar o tabagismo é uma das principais medidas de proteção contra a doença. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão ocorrem em pacientes com histórico de consumo de tabaco.

Fernando afirmou que pessoas que fumam podem buscar ajuda com profissionais da rede pública ou privada, do clínico geral ao pneumologista. Ele também disse que o rastreamento pode ser considerado individualmente, quando houver indicação do cirurgião torácico, para quem tem mais de 50 anos e fuma há mais de 20 anos.

O Brasil reduziu a proporção de fumantes de 20 cigarros ou mais por dia: o índice caiu de 4,6% da população em 2006 para 1,9% em 2023, segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde (Vigitel).

Entre usuários de cigarros eletrônicos, a variação registrada na pesquisa foi de 2,3% em 2019 para 2,1% em 2023.

Ações no estado

Em nota, o Governo de São Paulo informou ter registrado 23.132 internações por neoplasia de pulmão entre 2023 e 2026. A administração estadual afirmou que ampliou ações de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, com atenção ao controle do tabagismo.

A Política Estadual de Controle do Tabagismo reúne iniciativas de prevenção, vigilância e redução do uso de produtos de tabaco e da dependência de nicotina. Mais de 1 milhão de pessoas foram atendidas no âmbito da política, de acordo com a pasta da Saúde.

O aplicativo do Poupatempo oferece o serviço Vida Sem Nicotina. Pelo app, é possível fazer o Teste de Fagerström, que avalia a dependência à nicotina, e consultar locais da rede pública para tratamento.

Fernando também afirmou que planeja realizar uma análise semelhante com dados de todo o Brasil.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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