SÃO PAULO — A defesa de Roberto Prieto Filho, conhecido como Betinho da Baixada, tenta anular a condenação do cliente e obter sua soltura após a prisão dele na Bolívia. O advogado Áureo Tupinambá de Oliveira Filho afirmou nesta sexta-feira (25) que o processo tem “várias nulidades” e ainda não transitou em julgado.
Prieto está detido desde a última quarta-feira (23) no Centro de Detenção Provisória IV, no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP), à disposição da Justiça. Ele foi capturado na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, por agentes da Força Especial de Luta contra o Narcotráfico (Felcn), da Bolívia, com apoio da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil de São Paulo.
O advogado questiona, entre outros pontos, a fundamentação da decisão judicial que autorizou um mandado de busca. A operação, realizada em 2021, levou à apreensão de pouco mais de 1 quilo de cocaína pura em um imóvel que, de acordo com a acusação, era usado por Prieto como escritório. “O Roberto é inocente e o processo, que ainda não transitou em julgado, é nulo”, declarou Tupinambá.
Condenação e fuga
Apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Prieto estava foragido desde janeiro de 2022. Naquele período, homens armados com fuzis invadiram a cadeia pública anexa ao 1º Distrito Policial de Guarujá, no litoral de São Paulo, e libertaram Prieto e Pablo Ribeiro Lopes Santos.
Os dois foram julgados à revelia depois da fuga. Prieto recebeu condenação de 20 anos, 2 meses e 20 dias de prisão por narcotráfico, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Santos foi absolvido da acusação de associação para o tráfico e condenado a pouco mais de quatro anos, em regime semiaberto, por lavagem de dinheiro.
O juiz André Rossi, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Guarujá (SP), considerou válida a execução do mandado e a transferência de Prieto ao Brasil. Para o magistrado, a detenção “é indispensável para a conveniência da instrução [do processo] e para assegurar a aplicação da lei penal”.
A imprensa boliviana informou que Prieto foi entregue às autoridades brasileiras e levado ao país no dia seguinte à captura, sob forte escolta policial. Agentes brasileiros também procuravam André Oliveira Macedo, o André do Rap, que não foi localizado. A PF e a Polícia Civil de São Paulo disseram que não se manifestam sobre prisões ou operações em curso.








