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Acordos sobre a Sabesp aproximaram Tarcísio e Milton Leite antes de operação

Negociações políticas envolveram a privatização da Sabesp, as eleições municipais de 2024 e o comando da Câmara de São Paulo.

Tarcísio usou privatização da Sabesp para se aliar a Leite, investigado por ligação com PCC

A tramitação da privatização da Sabesp aproximou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) do então presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite. O acordo também envolveu o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e as eleições municipais de 2024.

A articulação ocorreu antes de uma operação que investiga uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo. Nesta quinta-feira (17), a ação atingiu Leite e Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual pelo partido de Flávio Bolsonaro. Leite teve a prisão decretada e é considerado foragido pela polícia. Morgado foi preso.

Batizada de Vectura Corrupta, a operação é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. A polícia cumpre medidas em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas, direta ou indiretamente, pelo PCC. Os elementos reunidos indicam uma possível atuação de integrantes e intermediários da facção em empresas e licitações do transporte público da capital.

Negociação pela privatização

O projeto de venda da Sabesp precisava da aprovação da Câmara Municipal porque havia uma cláusula no contrato da estatal com o município de São Paulo. Leite, que presidia a Casa, mantinha a proposta parada desde setembro de 2023.

Enquanto Tarcísio tratava a privatização como uma das principais bandeiras de sua campanha de 2022, Leite buscava recuperar espaço político no Palácio dos Bandeirantes e participar da escolha do vice de Ricardo Nunes. Em outubro de 2023, ele afirmou que não abriria mão dos direitos da cidade de São Paulo, ao criticar a condução das negociações.

O vereador também usou a pré-candidatura de Kim Kataguiri à Prefeitura de São Paulo para pressionar Nunes. Kataguiri estava no União Brasil, partido liderado por Leite na capital, que tinha sete vereadores e era importante para formar maioria na Câmara.

Nunes apoiou a indicação de Ricardo Teixeira (União) para a presidência da Câmara Municipal. Com isso, o comando da Casa permaneceu com o partido de Leite. Tarcísio, por sua vez, assegurou o retorno da influência do ex-vereador no governo estadual. A indicação de Arthur Lima, do União Brasil, para a Casa Civil ocorreu depois da saída de Gilberto Kassab (PSD).

Após os acordos, Leite acelerou a tramitação da proposta na Câmara Municipal. A cláusula que impedia a venda da Sabesp à iniciativa privada acabou derrubada.

Em 17 de janeiro de 2024, durante um evento na Vila Emir, na zona sul de São Paulo, Tarcísio e Leite apareceram juntos na entrega da primeira fase de implantação da Usina Fotovoltaica Flutuante Araucária. O governador também participou do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite e Milton Leite Filho, filhos do ex-vereador, e voltou a elogiar a família do aliado.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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