SÃO GABRIEL DO OESTE — Motoristas que passam pela BR-163, em Mato Grosso do Sul, terão a velocidade acompanhada de uma nova maneira. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou um projeto-piloto para medir a velocidade média dos veículos em um trecho de 11 quilômetros da rodovia, entre os km 620 e 630, em São Gabriel do Oeste.
O teste será realizado pela Concessionária de Rodovia Sul-mato-grossense S.A., responsável pela concessão da BR-163/MS e atualmente identificada pela marca Motiva Pantanal. A experiência terá duração inicial de 180 dias, contados a partir da instalação dos equipamentos e do começo do monitoramento.
Nesta etapa, a velocidade média registrada não poderá ser usada sozinha para aplicar multa ou outra penalidade. O objetivo é avaliar a viabilidade, a confiabilidade, o desempenho e a aplicação da tecnologia em condições reais.
Como funciona o controle
O radar tradicional verifica a velocidade do veículo em um ponto específico. Com isso, o motorista pode reduzir a velocidade ao se aproximar do equipamento e voltar a acelerar depois.
No sistema em teste, dois pontos de monitoramento registram a passagem do veículo. O primeiro marca o horário de entrada, enquanto o segundo identifica o momento em que o veículo chega ao fim do trecho. A velocidade média é calculada com base na distância percorrida e no tempo gasto.
Um exemplo apresentado na explicação do sistema considera uma via com limite de 60 km/h. Nesse caso, o veículo deve percorrer, em média, no máximo 1 quilômetro por minuto. Em uma distância de 2,5 quilômetros, o tempo mínimo correspondente ao limite é de 2 minutos e 30 segundos. Se o percurso for concluído em menos tempo, a velocidade média terá ultrapassado 60 km/h.
Durante o projeto, a concessionária deverá instalar e manter sinalização informando os motoristas sobre o monitoramento. A exigência está prevista na autorização da ANTT para o trecho definido.
Acompanhamento do experimento
A autorização foi publicada por meio da Decisão SUROD nº 1.338, de 9 de setembro de 2026, no Diário Oficial da União em 11 de setembro. A Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (SUROD) poderá prorrogar o prazo, encerrar o experimento antes do previsto ou revogar a autorização por razões técnicas, de segurança, interesse público ou descumprimento das condições estabelecidas.
A concessionária deverá enviar mensalmente à SUROD os resultados do projeto. A análise vai considerar a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos, o comportamento dos usuários, o desempenho operacional e outros aspectos técnicos.
A superintendência também poderá pedir informações, relatórios, dados ou avaliações complementares a qualquer momento. O teste integra experiências autorizadas em trechos de rodovias federais concedidas de oito estados: Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Uma eventual adoção do sistema para fiscalização com aplicação de penalidades dependerá dos resultados do projeto e de avaliações técnicas e regulatórias. Por enquanto, o experimento na BR-163/MS serve para observar o funcionamento da tecnologia e a reação dos motoristas, sem gerar multa exclusivamente pela velocidade média registrada.







