CAMPO GRANDE — Leandro Pereira Florenciano será levado a júri popular pela morte de Gleison da Silva Abreu, encontrado entre as pedras da Cachoeira do Inferninho, em Campo Grande. A acusação afirma que o réu lançou a vítima de um precipício de cerca de 28 metros para esconder uma fraude envolvendo falsos investimentos.
O julgamento estava marcado para 23 de setembro, mas foi adiado depois que a defesa comprovou ter outra audiência na mesma data. Em decisão de 2 de setembro, o juiz determinou que a sessão seja remarcada para a próxima data disponível. Ainda não há nova data definida.
Acusação e defesa
Gleison desapareceu em 30 de abril de 2020. Ele saiu de casa de motocicleta e foi visto conversando com dois homens naquela tarde. No dia seguinte, um grupo que praticava rapel encontrou o corpo na cachoeira, na saída para Rochedo. A motocicleta não estava no local.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Leandro teria atraído Gleison com a promessa de ganhos elevados em investimentos. A vítima havia colocado R$ 16 mil no negócio e aguardava o retorno entre o fim de abril e o início de maio de 2020. Para o MPMS, a proximidade da cobrança motivou o assassinato. A acusação também afirma que Leandro contou com a ajuda de uma pessoa não identificada.
O Ministério Público acusa Leandro de homicídio duplamente qualificado. A denúncia sustenta que Gleison não teve possibilidade de se defender ao ser lançado do despenhadeiro e que o crime foi cometido para garantir a impunidade da fraude financeira e preservar o lucro obtido com o golpe.
A defesa nega que Leandro tenha cometido o homicídio. Em 2021, durante a investigação, o advogado Gustavo Moura Scuarcialupi apresentou outra versão: Emerson Borcheidt, ex-marido de Leandro, teria sido o responsável pela queda. Borcheidt foi encontrado morto com indícios de suicídio em uma quitinete no Bairro Zé Pereira logo após as prisões.
Dados de localização também foram usados pela acusação para contestar a versão de que Leandro estaria em viagem a Várzea Grande, em Mato Grosso, na data do crime. A Justiça manteve o julgamento depois de rejeitar um recurso apresentado pela defesa.
A denúncia ainda envolve Agnaldo Freire de Mariz e Leonardo Kammer da Silva, conhecido como Léo do Pastel, por favorecimento pessoal. Conforme o MPMS, os dois teriam ajudado Leandro a escapar da ação policial ao desmontar e esconder a motocicleta de Gleison. Leonardo morreu em julho do ano passado, de acordo com o processo.







