A luz que atravessou o espaço por mais de 13 bilhões de anos trouxe sinais de planetesimais rochosos formados apenas 100 milhões de anos depois do início do universo. A identificação desses objetos indica que a formação de estruturas sólidas começou muito antes do que previa a teoria tradicional.
A observação foi feita com telescópios capazes de captar luz infravermelha fraca. Como o brilho percorreu uma distância enorme até chegar à Terra, os pesquisadores recorreram à espectroscopia para analisar a assinatura química presente nessa luz. A técnica permite reconhecer os minerais que estavam na poeira espacial daquele período.
Os ingredientes das primeiras rochas
Entre os elementos identificados estão carbono, silício e ferro. O carbono é apresentado como base para formas de vida; o silício participa da composição da areia e de rochas duras; e o ferro pode se concentrar no núcleo magnético de mundos em formação.
De acordo com a explicação descrita, a gravidade reuniu esses materiais em pelotas de poeira. Colisões sucessivas fizeram com que os fragmentos se juntassem e formassem estruturas que serviriam de base para mundos antigos.
Uma formação mais rápida
A expectativa anterior era que as primeiras estrelas fossem compostas principalmente por gases leves. Depois de explodirem, elas espalhariam poeira e metais pesados pelo espaço. Esses materiais seriam necessários para o surgimento de objetos sólidos, mas o achado mostra que planetesimais rochosos já existiam no início da história cósmica.
O resultado encurta a linha do tempo prevista para a formação de planetas rochosos. Também indica que esses processos ocorreram próximo do surgimento das primeiras estrelas, e não apenas depois de bilhões de anos e de sucessivas gerações estelares.
A descoberta amplia o período em que mundos rochosos poderiam ter desenvolvido água líquida e condições para o surgimento e a evolução da vida. Em comparação, o sistema solar tem 4,6 bilhões de anos, sendo muito mais jovem que o universo.







