Dezenas de galáxias anãs que orbitam a Via Láctea foram identificadas em imagens do espaço profundo após passarem despercebidas em levantamentos anteriores. As estruturas são tão apagadas que podem ser confundidas com ruído nas fotografias, mesmo com equipamentos modernos de observação.
A principal dificuldade está na quantidade reduzida de estrelas. Esses sistemas emitem pouca luz e aparecem nas imagens como pequenos borrões, bem diferentes das grandes galáxias espirais que costumam se destacar no céu. A busca exige a análise visual de áreas extensas, em uma varredura cuidadosa do espaço.
Como a identificação é feita
O projeto utiliza o VLT Survey Telescope (VST), capaz de registrar imagens de alta resolução de grandes regiões do céu noturno. O equipamento permite observar o brilho fraco de estrelas antigas que compõem essas pequenas galáxias e ajuda os pesquisadores a distinguir estruturas reais de interferências no fundo das imagens.
Depois que um aglomerado suspeito é encontrado, a equipe verifica se ele forma um sistema isolado. Para isso, analisa a distância e a velocidade dos astros, evitando confundir a possível galáxia com um grupo de estrelas soltas na região.
As estrelas também precisam apresentar movimento conjunto, viajando na mesma direção. Outro aspecto observado é a ausência de gás, associada ao fato de essas estruturas antigas não formarem novas estrelas. A idade avançada dos astros, que costumam ter bilhões de anos, completa o conjunto de características avaliado.
O que a descoberta mostra
As galáxias anãs fantasmas abrigam uma quantidade elevada de matéria escura. O estudo desses sistemas pode ajudar a reconstruir como a Via Láctea incorporou estruturas menores ao longo de sua formação.
Cada galáxia catalogada oferece informações sobre as condições existentes na origem do cosmo. A expectativa é que a quantidade conhecida dessas estruturas chegue à casa das centenas quando novos supertelescópios entrarem em operação nos próximos anos. Até lá, a inspeção detalhada das imagens continua sendo usada para localizar essas vizinhas pouco luminosas.







