O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 162 mil empregos em agosto, quase três vezes acima das cerca de 55 mil vagas projetadas pela maioria dos analistas. O resultado aumentou a pressão sobre o Federal Reserve, banco central americano, na definição dos próximos passos dos juros.
A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, dentro do esperado. O relatório também revisou para cima os dados de junho e julho. Julho, que anteriormente indicava perda de postos, passou a registrar a criação de 21 mil vagas. Com as duas revisões, o mercado de trabalho ganhou 55 mil empregos em relação ao cálculo anterior.
Contratações concentradas
O avanço, porém, ficou concentrado principalmente em restaurantes e bares, responsáveis pela abertura de 59 mil vagas, e na educação pública local, com 42 mil. Juntos, os dois setores responderam por mais da metade do crescimento do emprego no mês.
Na área de tecnologia e informação, houve perda de 23 mil postos. O setor mantém uma trajetória de redução há mais de um ano, possivelmente relacionada ao avanço da inteligência artificial nas empresas.
Os salários aumentaram 0,3% em relação a julho e acumulam alta de 3,1% em 12 meses. O ritmo continua elevado para os padrões desejados pelo Federal Reserve, enquanto a inflação americana permanece acima da meta de 2%.
Com emprego mais forte e preços pressionados, aumentou a expectativa de que o Fed priorize o combate à inflação. Isso amplia as chances de uma alta dos juros e reduz o espaço para a manutenção das taxas nos níveis atuais na reunião marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
A decisão ainda dependerá dos próximos indicadores de inflação, o CPI e o PPI, previstos para o final desta semana. O resultado do emprego já fortaleceu o dólar, elevou os juros dos títulos públicos americanos e pressionou as bolsas de tecnologia.
No Brasil, o dado também pode influenciar a reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para os mesmos dias 15 e 16 de setembro. A Selic está em 14% ao ano, após o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. Um Fed mais rígido tende a fortalecer o dólar diante do real, dificultando a queda da inflação brasileira e reduzindo o espaço para novos cortes nos juros.







