O mundo gelado 2002 XV93, localizado além de Netuno, possui uma atmosfera mesmo tendo cerca de 500 quilômetros de diâmetro. A descoberta, feita em maio de 2026, chama atenção porque um corpo tão pequeno teria pouca massa para manter gases ao redor por muito tempo.
A previsão é de que essa atmosfera escape em um prazo de 1.000 anos. O fenômeno desafia a expectativa de que a gravidade do objeto não seria suficiente para impedir que os gases se dispersassem no espaço.
Como a atmosfera pode continuar existindo
A principal hipótese é que o material gasoso seja reposto lentamente por um processo que ocorre sob a superfície do corpo celeste. O gelo reage à radiação solar fraca e libera uma nuvem, compensando parte do material que se perde no vácuo.
Entre os fatores associados ao fenômeno estão a emissão frequente de partículas presas no interior do núcleo congelado, a baixa temperatura e a distância em relação ao Sol. O frio extremo deixaria o vapor mais denso e pesado, enquanto a localização remota reduziria a ação dos ventos solares sobre a atmosfera.
Um objeto no Cinturão de Kuiper
O 2002 XV93 fica no Cinturão de Kuiper, região situada muito além da órbita de Netuno. O local reúne milhares de restos congelados da formação original da vizinhança planetária.
A distância do Sol faz com que a luz chegue de forma muito fraca e ajuda a preservar uma química que poderia evaporar rapidamente em regiões mais próximas. Essas condições tornam o ambiente favorável à permanência de materiais congelados na superfície e no interior do objeto.
A existência de uma atmosfera em um corpo tão pequeno pode levar os astrofísicos a rever modelos sobre a retenção de gases e a procurar fenômenos semelhantes em outros objetos das regiões frias do sistema solar. Telescópios também poderão ser calibrados para identificar bolhas atmosféricas sutis nesses locais distantes.







