A sonda soviética Venera 14 pousou em Vênus, registrou imagens coloridas e captou sons do ambiente, mas falhou na principal tarefa de análise do solo. O braço mecânico usado para medir a resistência do terreno acabou perfurando uma das tampas de proteção da própria câmera.
A missão fazia parte do Programa Venera, criado para obter dados sobre o planeta submetido a uma pressão de 90 atmosferas. Para isso, a nave levava um equipamento capaz de empurrar o solo e enviar os resultados à base russa.
O pouso ocorreu sem problemas. Depois que as câmeras liberaram as tampas, uma delas caiu exatamente no ponto escolhido para a perfuração. Quando o braço desceu, a ponta de medição atingiu o pedaço de metal em vez do terreno de Vênus.
O que a sonda conseguiu registrar
Os cientistas receberam dados sobre a resistência da tampa da câmera, feita de titânio, e não sobre a composição do solo. Ainda assim, a missão produziu outros registros relevantes: imagens coloridas do terreno rochoso ao redor da sonda e gravações do vento e do funcionamento do maquinário.
A Venera 14 permaneceu ativa por 57 minutos, sob uma temperatura de quase 465 graus, antes de derreter. As fotografias feitas durante esse período foram preservadas e passaram a circular em livros de astronomia.
Uma falha que mudou o planejamento
Na época, não havia como corrigir a posição das ferramentas depois que a estrutura tocava o chão. A experiência levou os engenheiros a repensarem o formato das peças móveis usadas em missões posteriores.
O planejamento passou a considerar também o local onde componentes ejetados poderiam cair. Com isso, o desenho das naves passou a evitar que essas peças fossem parar na área de trabalho dos equipamentos. O incidente ficou como uma lição sobre a necessidade de prever a trajetória de cada componente durante o pouso.







