A expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio ajudou a reduzir a pressão sobre o dólar ao longo da terça-feira. Depois de atingir R$5,1365, com alta de 0,58%, às 9h23, a moeda norte-americana perdeu força gradualmente e terminou o dia próxima da estabilidade diante do real.
O dólar à vista fechou com queda de 0,08%, cotado a R$5,1040. Com o resultado, passou a acumular baixa de 7,01% no ano. Às 16h35, a cotação chegou à mínima de R$5,0976, recuo de 0,20%, antes de retornar para perto da estabilidade.
Fatores externos influenciaram o pregão
O movimento ocorreu enquanto investidores acompanhavam declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Ele afirmou acreditar que um acordo com o Irã só deverá ocorrer depois das eleições legislativas norte-americanas, em novembro. Trump também disse que pode “aniquilar a República Islâmica” caso não seja firmado um acordo de paz.
Depois do discurso, o presidente norte-americano afirmou a repórteres que autoridades dos dois países haviam realizado uma reunião “muito boa”, com duração de três horas, nesta terça-feira.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o comportamento da moeda refletiu uma menor aversão ao risco no exterior. No fim da tarde, o dólar apresentava sinais mistos em relação às moedas de países emergentes e registrava ganhos leves diante das divisas fortes. Às 17h06, o índice do dólar subia 0,10%, a 100,520.
Ata do Copom entrou no radar
No cenário doméstico, os investidores repercutiram a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária do Banco Central e acompanharam o noticiário eleitoral. O Copom defendeu a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, atualmente em 13,75%, diante da pressão da demanda, mesmo com sinais de desaceleração da atividade econômica, do crédito e da inflação.
O Banco Central afirmou que a política monetária contribui para a desinflação, mas que a inflação continua pressionada pela demanda. A economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Natalie Victal, identificou no documento um “ganho de convicção na desaceleração da atividade”.
Já Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, avaliou que a ata mostrou confiança no processo de desinflação. A perspectiva de um novo corte da Selic em novembro, para 13,50%, combinada à possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos, cuja taxa está na faixa de 3,75% a 4,00%, pode reduzir a diferença entre os juros dos dois países.
A disputa eleitoral também esteve entre os pontos observados pelo mercado. Pesquisa Quaest divulgada na noite anterior mostrou Flávio Bolsonaro com 42% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno, contra 41% de Luiz Inácio Lula da Silva. Com margem de erro de 2 pontos percentuais, o resultado indica empate técnico. Na semana anterior, Flávio tinha 42%, enquanto Lula registrava 40%.
No mercado futuro, o contrato para outubro, o mais negociado no mercado brasileiro, recuava 0,21% às 17h03, cotado a R$5,1115 na B3. No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para 1º de outubro.







