CAMPO GRANDE — Contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde com empresas ligadas ao advogado Paulo da Cruz Duarte resultaram em pagamentos de R$ 9.617.738,49 durante 2025, conforme relatório da Operação Antidotum. A investigação apura fraudes na Santa Casa de Campo Grande.
O documento foi produzido pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que realizaram a operação na última sexta-feira (dia 11). Segundo o Conselho Fiscal, os pagamentos contribuíram para o resultado financeiro deficitário da operadora.
Contratos e afastamentos
Beatriz Lemos da Silva, administradora legal da Operadora Santa Casa Saúde, foi afastada da função por decisão da Justiça. A medida também atingiu Paulo da Cruz Duarte. A decisão foi assinada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna.
De acordo com a apuração, Paulo atuava como advogado da Santa Casa e da operadora enquanto participava de empresas que passaram a ser contratadas sucessivamente pela própria Operadora Santa Casa Saúde. O relatório aponta, em tese, possível conflito de interesses e eventual direcionamento dos contratos em benefício de pessoas ligadas à administração da entidade.
A decisão considerou que Beatriz tinha acesso direto a contratos, aditivos, registros contábeis, notas fiscais, relatórios de execução, ordens de serviço e outros documentos relacionados às apurações.
As contratações teriam começado depois que Alir Terra chegou à presidência. A defesa de Alir Terra Lima contesta a prisão. “Vamos esclarecer todos os pontos que envolvem ela e demonstrar ao Juízo que não há motivos para mantê-la presa”, afirmou o advogado Murilo Marques no dia da operação.
Em nota, a Santa Casa informou que atende às autoridades responsáveis pela operação e permanece disponível para fornecer informações e esclarecimentos. A defesa de Paulo da Cruz Duarte foi procurada, mas não houve informação sobre seu posicionamento. A defesa de Beatriz não foi localizada.








