Um diálogo entre Jary Carvalho de Castro, então vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, e o empresário Maurício Aparecido Benites trata de pagamentos ligados a um contrato de digitalização de prontuários investigado na Operação Antidotum. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul aponta que o acordo teria sido usado como rota para desviar R$ 1,4 milhão.
O contrato previa R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. A contratação foi formalizada em 29 de outubro de 2024. A empresa Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda., da qual Maurício é sócio-administrador, foi contratada para executar o serviço.
Áudio menciona fiscalização
Em um áudio encaminhado em 8 de abril de 2025, Jary explica que a Santa Casa estava sob fiscalização e, por isso, não poderia repassar todo o valor de uma só vez. Ele afirma que os recursos deveriam priorizar o pagamento de médicos e a compra de medicamentos.
“Não tem como pagar um milhão e oitocentos cash”, diz Jary na gravação. Na sequência, ele afirma que tentaria fazer pagamentos parciais ao empresário.
O então vice-presidente também menciona um pacote de R$ 25 milhões e diz que o valor destinado à digitalização teria sido direcionado para São Paulo. Segundo ele, havia uma especificação do recurso em documento assinado pela bancada federal, pelo secretário de saúde, pela prefeita e por Alir.
O relatório da operação não identifica a senadora responsável pela emenda. A parlamentar citada é Soraya Thronicke (PSB), que destinou R$ 1 milhão para a digitalização de prontuários. Ela é candidata à reeleição e informou que encaminharia uma nota.
Investigação e prisões
Jary renunciou ao cargo em janeiro de 2026. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul havia pedido a prisão dele, mas a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, negou a medida. Para a magistrada, não havia fundamentos contemporâneos que demonstrassem a necessidade da prisão preventiva.
Maurício Benites foi preso na operação deflagrada na sexta-feira, dia 11, pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado.
O advogado Fábio Leandro, que representa Maurício, afirmou que fará a defesa em juízo. Ele contestou os valores apontados pelo Ministério Público e disse que a contratada sequer teria recebido as quantias mencionadas. Jary Carvalho de Castro não foi localizado para comentar o caso.







