A campanha de Flávio Bolsonaro decidiu deixar a apresentação detalhada das medidas econômicas para o período de transição, caso o candidato do PL vença a eleição. Em nota, a assessoria afirmou que o plano de governo traz diretrizes para enfrentar o cenário econômico e que as ações serão detalhadas com a formação das equipes técnicas.
A estratégia também prevê concentrar a comunicação na crise do Supremo Tribunal Federal (STF). Integrantes da campanha avaliam que o tema pode favorecer Flávio e candidatos ao Senado. A intenção é associar a rejeição ao ministro Alexandre de Moraes ao presidente Lula e apresentar o candidato do PL como capaz de reorganizar o Tribunal e recuperar a confiança nas instituições.
O que aparece no plano
A coordenadora-geral do programa, Daniella Marques, e outros integrantes do núcleo econômico defenderam um ajuste fiscal de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma nova regra para limitar os gastos com base na relação entre dívida e PIB. O documento, porém, não informa como essas medidas seriam executadas.
O plano menciona uma nova regra fiscal e um corte amplo em despesas e impostos. Sobre o detalhamento, Daniella Marques disse: “Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso”. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro também afirmou que a equipe pretende levar os temas ao Legislativo para discutir cortes e limites de despesas.
Flávio já declarou apoio à privatização de empresas estatais, mas não informou quais seriam incluídas. Daniella Marques disse que os Correios não fariam parte da lista.
Medidas que provocaram desgaste
A decisão de evitar propostas específicas ocorre depois que medidas avaliadas pela campanha vieram a público e afetaram a candidatura no início do ano. Entre elas estavam a retirada da exigência de destinar 15% da Receita Corrente Líquida à saúde e de aplicar 18% da Receita Líquida de Impostos na educação.
Também foi analisada a possibilidade de mudar a forma de reajuste dos benefícios da Previdência Social. Nesse cenário, aposentados e pensionistas teriam correção apenas pela inflação, sem aumento real. Flávio negou publicamente que essas alterações estivessem em estudo, enquanto Daniella Marques não descartou as medidas em entrevistas.
A coordenadora ainda recebeu críticas de adversários após elogiar o presidente da Argentina, Javier Milei, como exemplo para o Brasil. A declaração foi usada por petistas nas redes sociais.
Disputa na propaganda
Rogério Marinho, coordenador político da campanha, afirmou que Flávio já tem um grupo escolhido para continuar os trabalhos em caso de vitória. Ele disse que ainda será avaliado se os nomes da equipe econômica devem ser anunciados antes da eleição e negou que o adiamento das propostas represente um pedido de autorização sem limites ao eleitor.
A campanha de Lula passou a questionar a viabilidade das promessas de Flávio, incluindo a redução do preço dos alimentos. Em peças nas redes sociais, o grupo petista usa o slogan “Falar é Flávio, fazer é Lula” e afirma que o plano adversário tem 21 mil palavras, mas não traz menções concretas ao salário mínimo, ao Pé-de-Meia ou ao Minha Casa Minha Vida.







