Um levantamento sobre as condições de trabalho de jornalistas no Brasil identificou que 61% dos entrevistados recebem baixo apoio social no ambiente profissional. O indicador considera a interação com colegas e superiores e aparece associado a situações de pressão, assédio e pouca autonomia sobre as atividades.
Produzido pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro), com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o estudo foi apresentado durante reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional. Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze são as responsáveis pela pesquisa.
Dados sobre saúde mental
Entre os 257 jornalistas que responderam a um questionário online, 48% relataram sintomas de insônia. O percentual fica acima das médias nacionais registradas pelo Ministério da Saúde no relatório Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil) 2006-2024, que variam de 28,7% em Natal a 38% em Maceió.
Metade dos participantes, equivalente a 50%, afirmou enfrentar quadro de depressão. Dentro desse grupo, 9% relataram sintomas de depressão severa e 16%, extremamente severa.
As respostas também indicaram consumo de bebidas alcoólicas em padrões de frequência e quantidade associados ao uso de risco (18,7%) ou nocivo (1,6%). Em 1,2% dos casos, os dados sugeriram provável dependência.
Assédio no trabalho e no ambiente digital
O assédio moral foi relatado por ao menos 26% dos profissionais. Conforme os critérios usados na pesquisa, o índice pode chegar a 37%. O cyberbullying apareceu nas respostas de 30% dos entrevistados.
Para as pesquisadoras, o dinamismo e o estresse fazem parte das características do jornalismo e expõem os profissionais a riscos psicossociais. A combinação entre baixo apoio social e baixo controle sobre as tarefas, executadas sob pressão, pode gerar consequências negativas à saúde ou agravá-las.
A presidenta da Fenaj, Samira de Castro Cunha, afirmou que os dados mostram altas taxas de estresse, ansiedade, depressão, insônia, assédio moral e violência digital. Para ela, as condições de trabalho também podem afetar a qualidade da informação produzida e o direito da sociedade à informação.







