Ideias para a sua casa
Brasil

Visitas à Máxima começam de madrugada e criam rede entre mulheres

Familiares e companheiras enfrentam viagens, preparam alimentos e seguem regras para entrar no presídio aos domingos.

Visitas à Máxima começam de madrugada e criam rede entre mulheres

A visita ao Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande começa muito antes da abertura dos portões, marcada para as 8h30 aos domingos. Mulheres chegam de madrugada, levam alimentos preparados em casa, escolhem roupas dentro das regras da unidade e aguardam a entrada em grupos formados nas proximidades.

A rotina ocorre 4 vezes por mês, com públicos diferentes. O primeiro domingo é destinado às crianças. Nos outros 3, familiares, amigas e companheiras visitam os internos. Os encontros duram cerca de duas horas e meia e podem incluir visita íntima entre adultos.

Nas ruas próximas, o comércio se adaptou às exigências da prisão. Barracas e lojas oferecem refeições, lanches, roupas, produtos de higiene, cosméticos, potes, material de limpeza, sacolas transparentes e outros itens permitidos na revista. Cigarros também são vendidos e usados como moeda de troca dentro da unidade.

A preparação para entrar

As mulheres são maioria entre as pessoas que aguardam a entrada. Muitas se chamam de “cunhadas”, termo associado à forma como os presos se tratam, como irmãos. A preparação inclui separar a comida, escolher peças adequadas e deixar do lado de fora o que não é permitido, como alguns casacos.

A revista passou a ser feita com scanner corporal, sem a exigência de tirar a roupa. Uma visitante relatou que o atendimento pode variar conforme a equipe de plantão: “Depende do plantão. Eu nunca peguei uma agente chata, mas tem dias que eles estão horríveis”.

Darrys Mendes, de São Gabriel do Oeste, foi pela primeira vez ao presídio para visitar o marido. Ela esperou cerca de um mês e meio pela carteirinha e recebeu a autorização na semana anterior à visita. Para a viagem, preparou bife, carne e estrogonofe.

Ela saiu do trabalho à meia-noite e meia, terminou de preparar a comida depois das 3h e pegou a estrada por volta das 4h30. Chegou a Campo Grande por volta das 7h, após uma viagem de cerca de duas horas. Darrys afirmou que pretende repetir o percurso nos próximos domingos com uma amiga da mesma família.

Laços criados na espera

Fabiana Aparecida, que mora em Campo Grande e é aposentada, visita o esposo. Ela acorda entre 3h e 4h para preparar a comida e recebe em casa mulheres que chegam de outras cidades. A preferência é por jeans e peças discretas, de acordo com as exigências da unidade.

A convivência entre as visitantes também cria amizades. Fabiana contou que, quando morava em outra cidade, saía de Três Lagoas à noite para chegar de madrugada. “A amizade você faz aqui porque o sofrimento lá dentro não é bom”, disse.

As mães também fazem parte do movimento. Uma moradora de Três Lagoas visita o filho uma vez por mês por causa da distância. Em vez de preparar a refeição em casa, compra o almoço nas proximidades do presídio e leva dinheiro para que ele adquira itens pessoais dentro da unidade.

Mariela Ana Amorim, de 47 anos, repete há seis anos a rotina de visitar o filho. Ela começa a preparar a comida por volta das 4h, separa os alimentos em pequenas embalagens, chama um carro por aplicativo e costuma chegar entre 9h e 10h. Para essas mulheres, a visita envolve comida, estrada, espera e a manutenção do vínculo com familiares que estão presos.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5