CAMPO GRANDE — A rotina de visitas no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi tem menos presença de maridos e companheiros e impõe regras diferentes das observadas no presídio masculino de Campo Grande. Na unidade feminina, mães, filhos, pais e outros familiares são maioria entre os visitantes.
Dados do Sisdepen, painel da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), mostram que 26,8% das mulheres presas no Brasil não têm visitantes cadastrados. Entre os homens presos, o índice é de 23,3%. Ao todo, 6.327 das 23.567 mulheres presas no país não têm nenhum visitante registrado.
Como funcionam as visitas
Segundo relatos de familiares, as presas recebem visitas em 3 domingos do mês. Um desses dias é reservado às crianças. Apenas uma pessoa pode entrar por vez para visitar cada detenta, e é necessário esperar o início do mês seguinte depois do último domingo de visita.
No período da manhã, os visitantes precisam chegar cedo para retirar uma senha. A entrada ocorre entre 8h30 e 11h, com outro horário de visitação à tarde. Quem não consegue senha pode voltar para casa sem encontrar a familiar.
As sacolas também seguem limites específicos. Na unidade feminina, os visitantes relatam que podem levar 2 quilos de comida salgada. Doces, café, açúcar, bolos e frutas não são permitidos. Nos domingos destinados às crianças, também não é autorizada a entrada de alimentos para elas; quem quiser comer precisa comprar na cantina.
Familiares enfrentam deslocamento e espera
Gláucia Tenório de Holanda, secretária de 48 anos, visita a filha há cinco anos. Ela deixou Costa Rica e se mudou para Campo Grande para acompanhar a detenta, que, conforme seu relato, já cumpriu 5 anos de uma pena de 8.
A familiar afirma que pessoas de outras cidades e estados passam a noite perto do presídio para tentar conseguir uma das primeiras senhas. “Tem gente que vem de fora, de outra cidade, de outro estado. Tem que passar a noite aqui em frente ao presídio para conseguir a vaga e entrar mais cedo”, relatou.
Gláucia disse que deixou a casa e o trabalho, passou a morar de aluguel nas Moreninhas e leva os netos para as visitas. No dia em que falou sobre a rotina, acordou às 5h e encontrou 21 pessoas à sua frente. O trajeto até a unidade leva entre 30 e 40 minutos, segundo ela.
Medo de se identificar
Parte das visitantes preferiu não informar o nome ou mostrar o rosto. Elas relataram medo de que a exposição provoque consequências para as detentas, como tratamento mais rígido dentro da unidade ou transferências para outros presídios.
Uma mulher que visita a mãe, presa há dois anos, afirmou que o tempo de convivência é curto diante da espera. Outra visitante, que frequenta a unidade há cinco anos e atualmente encontra a mãe e uma tia, também pediu para não ser identificada.
As familiares apontam diferença entre as regras do presídio feminino e as do masculino, inclusive no tempo de permanência. Na unidade masculina, os visitantes podem levar os chamados “jumbos”, com frutas, doces e outros alimentos, em limite informado de até 8 quilos. No feminino, a restrição relatada é de 2 quilos de comida salgada.
A presença de homens também é apontada como uma diferença. Uma visitante resumiu: “Aqui quem vem é filho, mãe, pai. Homem para visitar uma mulher é bem raro. Se tiver 1, 2 ou 3, é muito. No masculino é fila”.








