CAMPO GRANDE — A visita ao Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande começa muito antes da abertura dos portões, marcada para as 8h30 aos domingos. Mulheres chegam de madrugada, preparam alimentos, escolhem roupas dentro das regras da unidade e enfrentam viagens longas até o local.
A rotina se repete 4 vezes por mês. O primeiro domingo é reservado às crianças; nos outros 3, entram familiares, amigas e companheiras. Os encontros duram cerca de duas horas e meia e podem incluir visita íntima entre adultos.
Comércio moldado pelas regras
Nas ruas próximas ao presídio, o comércio acompanha as exigências da entrada. Lojas vendem roupas adequadas à fiscalização, enquanto conveniências oferecem refeições, lanches, alimentos, sacolas transparentes, potes, produtos de higiene, cosméticos e material de limpeza. Também há cigarros, usados como moeda de troca dentro da prisão.
Uma placa em frente à unidade informa o que pode passar pelo portão. A revista atualmente utiliza scanner corporal e, segundo visitantes, deixou de exigir que as mulheres tirem a roupa.
Entre as frequentadoras, companheiras e namoradas são chamadas nas redes sociais de “cunhadas”. O apelido surgiu porque os presos costumam se tratar como “irmãos”. Um grupo de 3 amigas relatou que já conhece as exigências e se organiza para separar os alimentos, escolher as roupas e guardar peças que não podem entrar, como casacos.
Viagens e reencontros
Aos 22 anos, Darrys Mendes, de São Gabriel do Oeste, visitou o marido pela primeira vez depois de esperar cerca de um mês e meio pela carteirinha. Ela saiu do trabalho à meia-noite e meia, preparou bife, carne e estrogonofe e pegou a estrada por volta das 4h30. Chegou ao presídio por volta das 7h, após uma viagem de cerca de duas horas.
“Eu saí do serviço meia-noite e meia, cheguei em casa e fui fazer tudo”, contou Darrys. Ela planeja repetir o percurso nos próximos domingos acompanhada de uma amiga que também faz parte da família.
A aposentada Fabiana Aparecida mora em Campo Grande e visita o esposo. Nos domingos de entrada, acorda entre 3h e 4h para preparar a comida. Ela também recebe em casa mulheres que chegam de outras cidades. Para a fiscalização, prefere usar jeans e peças mais discretas.
“Quando eu vinha de outra cidade, de Três Lagoas saía à noite e chegava aqui de madrugada”, disse Fabiana. A convivência entre as visitantes, segundo ela, cria amizades durante a espera e a preparação para a entrada.
Mães na fila de visita
As mães também mantêm a rotina de visitas, mesmo quando moram longe. Uma moradora de Três Lagoas consegue visitar o filho apenas uma vez por mês. Em vez de preparar a comida em casa, compra o almoço nas proximidades da unidade e leva dinheiro para que ele adquira itens pessoais dentro do presídio.
Mariela Ana Amorim, de 47 anos, visita o filho há seis anos. Ela acorda por volta das 4h, prepara a comida, separa os alimentos em pequenas embalagens e chama um carro por aplicativo. Normalmente, chega entre 9h e 10h.
“Não é muito fácil, não. Mas a gente não desiste. Mãe nunca desiste”, afirmou Mariela, enquanto segurava a carteirinha de visitante.







