A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho ainda enfrenta discriminação, salários baixos e concentração de vagas operacionais, aponta o balanço de 14 anos do blog Vencer Limites. O projeto chega à marca nesta sexta-feira, 11/9, com mais de 2,3 mil publicações, entre reportagens e artigos, além de 238 episódios de uma coluna na Rádio Eldorado, veiculados de 14/9/2021 a 12/5/2026.
A Catho, na edição de 2026 da Pesquisa Nacional PcD, registrou aumento de quase 16% na parcela de profissionais que disseram ter sofrido ou presenciado discriminação no ambiente de trabalho. Já a Egalite, em levantamento realizado na plataforma IncluiPcD, apontou que 98% das oportunidades oferecidas a pessoas com deficiência são operacionais e pagam R$ 2 mil.
Esse cenário é analisado no contexto de uma população de 14,4 milhões de habitantes, conforme o Censo 2022. A Lei de Cotas (n° 8.213/1991) determina a contratação de trabalhadores com deficiência por empresas com 100 ou mais funcionários registrados pela CLT. Ainda assim, o texto destaca a continuidade de ataques aos direitos desse grupo.
Uma trajetória iniciada em 2012
A primeira publicação do blog foi ao ar às 11h de 11/9/2012. O título reproduzia uma declaração de Teresa Costa d'Amaral, então superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD): “Pessoa com deficiência, no Brasil, é um não cidadão”.
Na avaliação apresentada por Teresa, limitações para se locomover, estudar e conseguir emprego impediam que brasileiros com deficiência exercessem plenamente seus direitos. A análise, segundo o balanço, continua atual mesmo após avanços legais, como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (n° 13.146/2015).
O momento também levanta questionamentos sobre a fiscalização da Lei de Cotas, o compromisso real de empresas com a inclusão e a atuação de consultorias especializadas em diversidade. Entre as questões estão se a contratação de pessoas com deficiência é tratada como investimento ou como despesa e se a imagem inclusiva é usada apenas como estratégia institucional.
Em ano de eleições para assembleias e governos estaduais, Congresso Nacional e Presidência da República, o texto defende a eleição de representantes com deficiência e de candidatos comprometidos com a pauta, para que a condição de “não cidadão” deixe de fazer parte da realidade dessa população.






