Pelo menos 14,4 milhões de pessoas no Brasil têm alguma deficiência, o equivalente a 7,3% da população, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira, 18. O levantamento reúne dados sobre trabalho, renda, educação, transporte, moradia, participação em cargos de gestão e relações familiares.
Trabalho e renda
A taxa de ocupação entre pessoas com deficiência é de 29%, enquanto chega a 55% entre quem não tem deficiência. O IBGE relaciona essa diferença a barreiras de acessibilidade nos locais de trabalho e nos deslocamentos, além de obstáculos comunicacionais, tecnológicos e institucionais e do capacitismo.
A ocupação é menor entre pessoas com limitações associadas às funções mentais, com 12,9%, e maior entre aquelas com dificuldade para enxergar, com 35,9%. Também há diferença conforme o grau da deficiência: a taxa é de 21,2% entre pessoas com deficiência profunda e de 30,5% entre aquelas com deficiência severa.
O deslocamento até o trabalho também leva mais tempo. Em média, pessoas com deficiência gastam 37 minutos no trajeto entre a casa e o emprego, contra 33 minutos entre as pessoas sem deficiência.
A renda média mensal é de R$ 2.053, equivalente a 71% do rendimento médio das pessoas sem deficiência. A diferença aparece em todos os grupos de atividade econômica.
Educação e acessibilidade
Entre as pessoas com deficiência de 15 a 29 anos, 12,2% eram analfabetas, contra 1% da população geral na mesma faixa etária. Na educação básica, 92,6% das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos com deficiência frequentam a escola. Entre jovens de 15 a 17 anos com deficiências severas, a taxa chega a 82,8%.
O número de pessoas com deficiência na graduação aumentou de 33.377 matrículas, que representavam 0,43% do total, em 2014, para 95.572, ou 0,93% do total, em 2024.
Nas escolas privadas, 84,9% tinham algum recurso de acessibilidade, e 64,4% contavam com banheiro acessível. Já as escolas públicas eram maioria na oferta de salas com recursos multifuncionais, presente em 34,5% delas, e de profissional de apoio ao aluno com deficiência, disponível em 32,8%.
Deficiências mais frequentes e vida familiar
Entre as pessoas com deficiência, 7,9 milhões têm dificuldade de enxergar; 5,1 milhões apresentam dificuldade para caminhar ou subir degraus; 2,7 milhões têm dificuldade para pegar objetos pequenos; 2,6 milhões enfrentam limitações associadas às funções mentais; e 2,5 milhões têm problemas de audição. Outras 3,9 milhões apresentam duas ou mais deficiências ao mesmo tempo.
Na faixa de 18 a 59 anos, 52,5% das pessoas com deficiência vivem em união estável, contra 59,8% das pessoas sem deficiência.
Em 2022, 58,4% das pessoas com deficiência de 2 a 17 anos moravam com mãe ou madrasta e pai ou padrasto. Entre as pessoas sem deficiência, esse percentual era de 68,1%. A residência somente com mãe ou madrasta aparecia em 30,1% dos casos entre crianças e adolescentes com deficiência, contra 21,5% entre os demais.
De acordo com os pesquisadores, os dados sobre a composição familiar revelam a rejeição enfrentada pelas pessoas com deficiência.






