A maior parte das oportunidades destinadas a pessoas com deficiência é formada por cargos operacionais, com salário médio de R$ 2 mil. O levantamento da plataforma IncluiPcD, pertencente à Egalite, analisou 19.810 vagas abertas para 116.639 profissionais cadastrados no sistema.
Entre os profissionais registrados, 25,9% têm educação superior completa e 6,3% são pós-graduados. Mesmo assim, 98,5% dos cargos oferecidos são operacionais. A oferta de posições técnicas e gerenciais representa 1,5% das vagas, embora 31% das candidaturas espontâneas sejam direcionadas a funções como analista, especialista, coordenador, gerente e diretor.
Formação cresce, mas oportunidades continuam restritas
Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência. Desse total, 7,4% concluíram o ensino superior. Já o Censo da Educação Superior, do Ministério da Educação, registra 95 mil estudantes com deficiência matriculados em faculdades, o equivalente a 0,9% dos universitários do país.
O Ministério da Educação também aponta que o número de estudantes com deficiência no ensino superior mais que dobrou em uma década. Para a Egalite, os dados mostram uma distância entre a formação desses profissionais e a qualidade das posições disponíveis.
Guilherme Braga, CEO e fundador da Egalite, afirma que muitas empresas concentram esforços no cumprimento da Lei de Cotas, mas não estruturam ações voltadas à carreira, à adaptação e à experiência dos funcionários com deficiência. “Isso não significa que a empresa é inclusiva”, disse.
Segundo Braga, medidas focadas apenas na fiscalização podem resolver uma necessidade imediata, mas prejudicam a inclusão no médio e no longo prazo. Para ele, o processo precisa considerar o desenvolvimento profissional, e não apenas o preenchimento de vagas.
Restrições e pretensão salarial
A pesquisa também identificou restrições nas oportunidades anunciadas. Entre as vagas que estabelecem algum tipo de limitação por deficiência, 48,6% não aceitam pessoas com deficiência intelectual. As justificativas mencionadas incluem a suposta falta de estabilidade na rotina e a ausência de preparo das áreas para oferecer suporte.
Outro dado envolve a remuneração esperada pelos candidatos. A pretensão salarial média informada por profissionais com deficiência é de R$ 1.450. Esse valor fica 15% abaixo da média oferecida pelas empresas na plataforma em 2026 e aproximadamente 10% abaixo do salário mínimo de R$ 1.621.
Para Braga, a redução da pretensão pode estar relacionada ao histórico de rejeição enfrentado por esses trabalhadores. “O profissional aceita menos porque subestima o próprio valor”, afirmou. Na avaliação do executivo, uma cultura inclusiva deve ampliar o acesso ao trabalho e estimular o desenvolvimento das competências desses profissionais.






