O tenente Carlos Eduardo da Silva Filho, de 27 anos, foi preso em flagrante após atirar contra o policial da reserva Resoaldo Gomes dos Santos dentro do 4º Batalhão da Polícia Militar, em Ponta Porã. O oficial também foi investigado por outras duas mortes durante a carreira: uma em São Paulo, em 2022, e outra em Mundo Novo, em 2025.
Na madrugada do dia 16, Carlos Eduardo entrou no alojamento onde Resoaldo cumpria 10 dias de detenção administrativa e disparou 2 tiros. O policial da reserva foi atingido no rosto e no abdômen. Levado ao Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, morreu por volta de 6h20 do dia seguinte. O caso é investigado pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar.
Morte de estudante em São Paulo
Em 11 de abril de 2022, quando ainda integrava a Polícia Militar paulista e estava lotado em Registro (SP), Carlos Eduardo reagiu a uma tentativa de roubo de sua moto na Avenida Rio Branco, na região da Santa Efigênia, em São Paulo. Segundo a versão apresentada pelo tenente, Daniel Ventura de Lima, de 19 anos, tentou cometer o assalto.
O policial contou que estava na capital para encontrar a namorada. Durante a reação, ele disparou 3 tiros. Um atingiu Daniel nas nádegas. Os outros acertaram a estudante Ingrid Reis dos Santos, de 21 anos, no peito, e uma amiga dela, de 19 anos, na barriga.
Ingrid havia deixado o bar de propriedade do pai para pegar uma chave e seguir até a faculdade. Ela morreu no local. A amiga foi socorrida e sobreviveu, assim como o suspeito baleado.
Carlos Eduardo foi preso e autuado em flagrante por homicídio culposo no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa. A fiança foi fixada em R$ 10 mil, paga pelo tenente, que respondeu ao processo em liberdade.
Caso arquivado em Mato Grosso do Sul
Em 9 de outubro de 2025, Carlos Eduardo também se envolveu na morte de Jucimar Ferreira, na zona rural de Mundo Novo. O homem foi atingido por 4 disparos durante uma abordagem após uma perseguição.
Conforme os autos, os policiais procuravam Jucimar por informações de que ele estaria armado. Ao ser localizado em uma motocicleta, ele teria tentado fugir. Depois de parar, teria se virado para os militares e feito menção de retirar uma arma da cintura. Carlos Eduardo, que estava mais próximo, atirou.
O laudo necroscópico apontou que os disparos atingiram Jucimar pela frente e causaram traumatismo abdominal. A perícia também constatou que a pistola Glock 9 milímetros atribuída a ele funcionava.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul concluiu que o tenente agiu em legítima defesa e pediu o arquivamento do inquérito. A Justiça manteve a decisão com base nos depoimentos, nos laudos e nas demais provas do processo.
Entrada na PM de Mato Grosso do Sul
Carlos Eduardo foi aprovado em concurso para oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, aberto em setembro de 2022. O resultado definitivo e a homologação foram publicados em outubro de 2023, e ele ficou em 7º lugar na classificação geral.
Como já tinha o curso de formação de oficiais em São Paulo, ingressou na corporação após a posse. Antes de ser enviado ao 4º Batalhão, em Ponta Porã, passou por Eldorado, Mundo Novo e Amambai.







