SOROCABA — O tratador Sérgio Domingues chorou ao acompanhar a entrada do elefante Sandro na caixa de transporte do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros. A despedida ocorreu na manhã de quarta-feira (16), antes de o animal seguir para o Santuário de Elefantes Brasil.
Sandro, de 55 anos, deixou Sorocaba após mais de quatro décadas no zoológico. O registro foi feito pela videomaker Nathalie Santos e mostra Sérgio ao lado da caixa, levando bananas para alimentar o elefante. Em um dos momentos, ele se emociona e é amparado por integrantes da equipe responsável pela transferência.
A viagem passou por Campo Grande na quinta (17), um dia depois da despedida. Sandro chegou à cidade por volta das 12h30, depois de mais de 24 horas de deslocamento. Conforme a equipe de transporte, ele permaneceu tranquilo e recebeu água, água de coco, isotônico e alimentos nas paradas, realizadas a cada três ou quatro horas. Ainda restavam cerca de 24 horas de estrada até Chapada dos Guimarães.
Trajetória e mudança
Sandro foi capturado na Ásia em 1971, passou pelo circo Orlando Orfei e chegou ao zoológico paulista em 1982. A ida ao santuário ocorreu após uma disputa judicial sobre a permanência do elefante no local.
A saída também reuniu moradores contrários à transferência. O grupo ficou nas proximidades do zoológico e tentou impedir a partida do caminhão. A Polícia Militar dispersou os manifestantes para liberar o começo da viagem.
Sandro será o primeiro macho a ocupar uma área própria no santuário. O espaço tem cerca de 40 mil metros quadrados, com floresta, lagos e outros elementos naturais. As seis fêmeas ficam em outro setor, de aproximadamente 300 mil metros quadrados, e poderão manter contato com ele pelas divisões entre os habitats.
A passagem pelo Mato Grosso do Sul integra uma sequência que já incluiu outros três elefantes nos últimos dois anos. Pupy cruzou o estado em abril de 2025, em uma viagem de aproximadamente 2,7 mil quilômetros entre a Argentina e Chapada dos Guimarães. Kenya passou por Campo Grande em julho daquele ano, após deixar a Argentina, e percorreu cerca de 3,6 mil quilômetros até o santuário. Ela morreu cinco meses depois; a instituição informou que dados preliminares da necropsia indicavam alta probabilidade de tuberculose em estágio avançado.
Baby foi a terceira, em junho deste ano. A elefanta de 34 anos percorreu aproximadamente 1,9 mil quilômetros até o mesmo destino.







