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Cafeína em doses moderadas aparece ligada a menor risco de demência

Estudo acompanhou mulheres e homens por até 43 anos e encontrou associação com café e chá cafeinados, mas não com café descafeinado.

Cafeína em doses moderadas aparece ligada a menor risco de demência

Um estudo publicado na JAMA em fevereiro de 2026 encontrou uma associação entre o consumo moderado de café ou chá com cafeína e uma menor probabilidade de desenvolver demência. A análise não identificou o mesmo padrão entre pessoas que consumiam café descafeinado.

Os pesquisadores são da Harvard T.H. Chan School of Public Health, do Mass General Brigham e do Broad Institute. Apesar dos resultados, o trabalho não prova que a cafeína previna a demência nem indica que as pessoas devam aumentar o consumo.

O que foi analisado

A pesquisa reuniu informações de dois estudos de saúde dos Estados Unidos. O Nurses’ Health Study acompanhou 86.606 mulheres desde 1980. Já o Health Professionals Follow-up Study avaliou 45.215 homens a partir de 1986. No início do acompanhamento, nenhum participante tinha câncer, doença de Parkinson ou demência.

Os hábitos foram registrados repetidamente ao longo dos anos, em intervalos de dois a quatro anos. Esse formato permitiu comparar o consumo de bebidas antes que os diagnósticos fossem conhecidos. O acompanhamento durou até 43 anos, período em que 11.033 participantes desenvolveram demência, identificada por diagnósticos médicos e registros de óbito.

Depois de considerar diferenças de saúde e estilo de vida, o grupo que consumia mais café com cafeína apresentou cerca de 18% menos risco de demência do que aquele que bebia menos. Também houve menor frequência de queixas sobre piora da memória ou da capacidade de raciocínio: 7,8% entre os maiores consumidores, contra 9,5% entre os menores.

Esses participantes ainda tiveram desempenho ligeiramente melhor em um teste cognitivo feito por telefone.

A quantidade fez diferença

O chá seguiu uma tendência parecida. Os maiores consumidores tiveram cerca de 14% menos risco de desenvolver demência e resultados um pouco melhores em avaliações de memória e raciocínio.

A associação mais forte apareceu em um padrão moderado de consumo. Para o café, a faixa observada foi de cerca de duas a três xícaras por dia. No caso do chá, o intervalo ficou entre uma e duas xícaras diárias. Juntas, essas quantidades correspondiam a aproximadamente 300 miligramas de cafeína. Acima desse nível, não foi identificado um benefício adicional claro.

O contraste com o descafeinado

A comparação entre os tipos de café foi um dos pontos centrais da análise. Quem consumia a versão descafeinada não apresentou menor risco de demência nem desempenho superior nos testes cognitivos.

Como o café comum e o descafeinado compartilham o ritual, o contexto social e muitos compostos vegetais, a diferença entre eles chama atenção para a cafeína. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que essa não é uma comparação perfeita: pessoas que optam pelo descafeinado podem ter outras características, inclusive preocupações específicas com a saúde.

Associação não é prova de causa

Os participantes tinham, em média, cerca de 46 anos, no caso das mulheres, e 54 anos, no caso dos homens, quando começaram a ser acompanhados. Os dados, portanto, refletem hábitos principalmente da meia-idade, uma fase que pode ser relevante para a saúde cerebral no longo prazo.

Mesmo com o tamanho da amostra, as décadas de acompanhamento e as avaliações repetidas, o estudo não consegue demonstrar que café ou chá causam a redução observada. Pessoas que consomem essas bebidas podem diferir das demais em aspectos que os questionários não captaram.

Também existe a possibilidade de que alguém em uma fase inicial e ainda não percebida de declínio da memória reduza gradualmente o consumo habitual de café. Nesse cenário, a menor ingestão poderia aparecer associada a uma situação de saúde pior sem que a bebida fosse a responsável direta. As diferenças nos testes de raciocínio foram pequenas, e uma medida geral da capacidade de pensamento ficou pouco abaixo do nível de significância estatística.

Para quem já toma café ou chá e lida bem com a cafeína, os resultados apontam para a moderação, não para a necessidade de abandonar o hábito. O achado não muda a recomendação individual para pessoas com problemas de sono, ansiedade ou outras condições de saúde que tornem a cafeína inadequada.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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