CAMPO GRANDE — A empresária Rossana Paroschi Jafar teve a prisão preventiva convertida em domiciliar com monitoração eletrônica nesta quarta-feira (30), após 85 dias detida. A decisão foi tomada pela juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, a partir de um pedido da defesa relacionado ao estado de saúde da empresária.
Rossana tem epilepsia e sofreu duas convulsões durante o período no presídio. Um laudo médico emitido em 3 de setembro relata que o ambiente prisional dificulta o atendimento com neurologista, a realização de exames e o ajuste das doses dos medicamentos. A documentação também registra pelo menos seis crises desde 2022.
O advogado Pedro Paulo Sperb, que representa Rossana, afirmou que essas dificuldades elevam o risco de piora do quadro convulsivo. Para a magistrada, a condição de saúde exige acompanhamento especializado e cuidados cuja execução é difícil dentro da unidade prisional. A monitoração eletrônica foi fixada inicialmente por 180 dias, e a juíza determinou a expedição do alvará de soltura.
Condições impostas pela Justiça
Rossana deverá permanecer em casa durante todo o período e só poderá sair para receber atendimento médico. Os comprovantes dessas consultas e tratamentos deverão ser entregues à Justiça em até cinco dias.
A empresária também não poderá deixar a cidade sem autorização judicial. Ela deverá comparecer aos atos do processo quando for intimada e comunicar qualquer mudança de endereço com antecedência mínima de cinco dias. Se descumprir as regras, poderá voltar ao presídio.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul havia se posicionado contra a revogação da prisão e contra a transferência para o regime domiciliar.
Rossana é ré por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa em investigação do Gaeco, que apura suspeitas relacionadas a contratos de livros paradidáticos com prefeituras de Mato Grosso do Sul. A denúncia solicita ressarcimento de R$ 27 milhões.
Em agosto, o juiz Deyvis Ecco, da 2ª Vara Criminal, havia recusado o pedido para revogar a prisão. Na decisão anterior, ele considerou que Rossana seria uma das supostas líderes do grupo e que medidas alternativas não seriam suficientes para evitar novos delitos.







