CAMPO GRANDE — A renúncia de Jary Carvalho de Castro ao cargo de vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, em janeiro de 2026, foi considerada pela Justiça para negar o pedido de prisão preventiva apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O engenheiro é investigado na Operação Antidotum, que apura fraudes em contratos da instituição.
A decisão é da juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias. Para a magistrada, não foram apresentados elementos concretos que demonstrassem risco atual, influência sobre a administração da Santa Casa ou possibilidade de interferência na produção de provas. O pedido de prisão foi formulado em agosto de 2026, aproximadamente sete meses depois do desligamento de Jary.
A juíza também afirmou que a prisão preventiva não pode funcionar como antecipação de pena nem se basear apenas na gravidade abstrata dos crimes investigados. A decisão que autorizou a operação considerou que a perda do vínculo funcional e administrativo reduziu os fundamentos relacionados ao risco de repetição das condutas e ao possível embaraço das investigações.
Contrato investigado
Jary é relacionado a um contrato firmado com a Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda. para a digitalização de prontuários. Segundo o MPMS, a contratação foi formalizada em 29 de outubro de 2024 sem estudos técnicos, termo de referência, análise de viabilidade ou demonstração de vantagem.
O contrato recebeu um termo aditivo que reduziu de três milhões para um milhão a quantidade mensal de páginas, triplicou o preço unitário e manteve a remuneração máxima mensal da empresa. Ao todo, a Redvalue recebeu R$ 2,1 milhões, embora o valor devido fosse de R$ 190.934,75.
Em um diálogo citado no relatório da operação, Jary teria afirmado a Maurício Aparecido Benites, dirigente da Redvalue, que “a caneta está com a gente”. Para o Ministério Público, a fala indicaria concentração do poder decisório e domínio sobre a estrutura administrativa da Santa Casa.
Outro áudio, de 8 de abril de 2025, trata do pagamento de R$ 1,8 milhão. Jary teria explicado que a quantia não poderia ser paga de uma única vez e que ajustaria com Rinaldo Romano, diretor administrativo-financeiro e gestor do contrato, a divisão em parcelas.
Operação e defesas
O MPMS sustenta que o modelo poderia ser levado a novos contratos. Em 22 de maio de 2025, Rinaldo teria informado a Maurício que Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa, havia solicitado sua presença em uma reunião da diretoria e que “já está aprovado os quatro sistemas”, antes da apresentação formal à presidente.
A Operação Antidotum foi deflagrada na sexta-feira (dia 11) pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Maurício Aparecido Benites foi preso.
O advogado Fábio Leandro, que representa Benites, afirmou que fará a defesa em juízo e contestou os valores apontados pelo Ministério Público. Segundo ele, a Santa Casa não pagou nenhuma nota pelos serviços prestados em 2026 e acumula mais 8 meses de atraso.
A defesa de Alir Terra Lima também contestou a prisão. O advogado Murilo Marques disse que apresentará esclarecimentos ao juízo. Em nota, a Santa Casa informou que atende às autoridades e está à disposição para fornecer informações. Jary Castro e Rinaldo Romano não foram localizados na segunda-feira (dia 14).







