CAMPO GRANDE — A presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, passou por audiência de custódia neste sábado (12), um dia depois de ser presa na Operação Antidotum. A investigação apura suspeitas de fraudes e desvios de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos ligados ao hospital.
O advogado Murilo Marques afirmou que a defesa pretende pedir a revogação da prisão preventiva depois de analisar as acusações. Segundo ele, o processo só foi disponibilizado à equipe na noite de sexta-feira (11). Alir está presa em uma cela especial no Presídio Militar.
“A Alir está indignada com a prisão”, disse Marques. De acordo com o advogado, a presidente nega ter cometido qualquer irregularidade. A defesa também informou que vai apresentar esclarecimentos e argumentar ao Judiciário que não existem motivos para manter a prisão.
Operação investiga contrato de digitalização
A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). Além de Alir, foram presos Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, Rinaldo Hakme Romano, Maurício Aparecido Benites, Alessandro Dias Junqueira e Monique Gregório de Oliveira.
A investigação é conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com participação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). O caso envolve um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para digitalização de prontuários.
Segundo a apuração, teriam ocorrido pagamentos elevados sem a correspondente prestação dos serviços. O acordo previa o pagamento de um milhão e oitocentos mil reais por ano, durante três anos, totalizando cinco milhões e quatrocentos mil reais. No primeiro ano, o desvio apontado foi de um milhão e quatrocentos mil reais.
Um dos contratos investigados aparece como 100% cumprido na página de transparência do hospital. Em nota, a Santa Casa informou que atende às autoridades e permanece disponível para fornecer informações e esclarecimentos. A instituição também declarou que aguardava acesso aos autos para conhecer o conteúdo das acusações.







