Um órgão de fiscalização do governo dos Estados Unidos reconheceu a redução dos estoques de armamentos avançados das Forças Armadas durante a guerra com o Irã. Divulgado na segunda-feira (15), o documento reúne o balanço oficial mais completo sobre mortes, gastos públicos e danos físicos provocados pelo conflito.
O relatório cobre o período de 1º de abril a 30 de junho. A elaboração contou com dados dos órgãos de fiscalização dos Departamentos de Defesa e de Estado e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
O documento afirma que a guerra revelou problemas na reposição de munições e “insuficiências estratégicas de estoques”. Especialistas já haviam estimado que empreiteiras militares levariam cerca de três anos para devolver mísseis avançados e interceptadores de defesa antimísseis aos níveis anteriores ao conflito.
O Pentágono, porém, contesta relatos de possível falta de munições e sustenta que as Forças Armadas têm as armas necessárias para qualquer conflito. Na segunda-feira, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão produzindo mais armas sofisticadas do que em qualquer outro momento da história e que elas são entregues diariamente às forças americanas no Oriente Médio e em outros locais.
Danos a bases e aeronaves
Ataques iranianos danificaram ou destruíram centenas de edifícios e estruturas em bases americanas no Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia.
A base naval americana no Bahrein, usada como centro logístico da Marinha na região, foi atingida por drones e mísseis balísticos iranianos. O Comando Central dos EUA (Centcom) transferiu as linhas de abastecimento para centros alternativos, incluindo Diego Garcia, base dos Estados Unidos e do Reino Unido no Oceano Índico. Com a mudança, os ciclos logísticos passaram a durar de 14 a 18 dias.
O relatório também registra danos ou destruição de dezenas de aeronaves e drones americanos. Até 30 drones MQ-9 Reaper foram atingidos, com custo aproximado de US$ 30 milhões cada. Sete aviões de reabastecimento KC-135 foram danificados ou destruídos; cinco estavam em solo na Arábia Saudita quando foram atingidos por munições iranianas.
Outro KC-135 caiu no Iraque após colidir com uma aeronave do mesmo modelo, causando a morte de seis militares. O documento classifica essas mortes como ocorridas em eventos não hostis, assim como a morte de um piloto de helicóptero que caiu no Mar da Arábia. Outros 11 militares aparecem como mortos em combate no Kuwait, Iraque, Jordânia e Arábia Saudita.
Gastos e evacuações
Pete Hegseth, secretário de Guerra, disse ao Congresso no fim de julho que a guerra havia custado US$ 37,5 bilhões. O relatório estima em US$ 184 milhões os danos a postos diplomáticos americanos no Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O Departamento de Estado informou que outros custos relacionados ao conflito chegaram a US$ 113 milhões no início de junho. Quase US$ 80 milhões foram usados em planos de contingência, incluindo a retirada de funcionários americanos, familiares, outros cidadãos dos EUA e nacionais elegíveis de terceiros países.
Após os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o governo Trump retirou cerca de 9 mil cidadãos americanos do Oriente Médio e da Europa. A operação, feita por voos privados e comerciais e por deslocamentos terrestres e marítimos, custou mais de US$ 11 milhões até o fim de junho.
A maior parte das evacuações saiu de Israel, seguida por Iraque e Jordânia. Dos Emirados Árabes Unidos, foram retirados 1,2 mil americanos. As viagens para Istambul, Atenas e Washington foram as mais caras, com custo superior a US$ 4 milhões.
No mesmo período, mais de US$ 44 bilhões em vendas militares emergenciais e não emergenciais foram realizadas. A maior parte foi destinada à Arábia Saudita, com fornecimento de helicópteros, munições, suporte relacionado a munições e sistemas avançados de armas de precisão. Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Israel também receberam bilhões de dólares em vendas.








